A partir de uma proposta apresentada pelo artista plástico mexicano Erick Beltran, as edições de sábado do Correio do Povo e da Zero Hora surpreenderam os leitores ao apresentar páginas totalmente em negativo, como se o setor industrial tivesse cometido um equívoco operacional. O objetivo do autor, que diz fazer intervenções deste gênero em jornais de todo o mundo desde 2001, foi alcançado, pois as páginas fugiram totalmente da rotina dos jornais. “Apresentar uma página em negativo é um golpe, um choque para o leitor, mas pode ser um despertar”, disse Beltran para o Correio do Povo. Ele procurou as direções dos dois diários há alguns meses, comprometeu-se a não fazer qualquer interferência na linha editorial das publicações, mas fez uma exigência: os leitores não poderiam ser avisados com antecedência sobre o que iria ocorrer.
O resultado, de qualquer forma, não é agradável do ponto de vista estético. Como registrou Roger Lerina, cuja página na ZH foi uma das “contempladas” com a novidade, o que se viu ali foram “fotos piradonas”. De qualquer forma, o diretor de Redação, Marcelo Rech, acredita que a experiência fez história e recomendou, na edição de domingo, que os leitores arquivassem a edição do dia anterior, pois “algum dia ainda deverá ser peça disputada por colecionadores de todo o mundo”. Ele cita o artista, para quem “a página em negativo faz com que, de alguma maneira, se veja o que nunca se vê”, e conclui: “Estranho, não? Coisas da Bienal. Aproveite, guarde e visite sua obra sem precisar sair de casa”.


