O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), admitiu ontem que poderá propor, em seu relatório final, o indiciamento do ex-ministro e atual chefe do Núcleo de Ações Estratégicas da Presidência da República, Luiz Gushiken, que centralizou as contas de publicidade das empresas estatais durante sua passagem pela Secretaria de Comunicação de Governo. “Se for o caso, nós o responsabilizaremos. Não afastamos essa hipótese e estamos analisando as responsabilidades civil, criminal e administrativa de cada um dos envolvidos”.
Serraglio fez a afirmação à noite, depois de ter divulgado documentos comprovando o desvio de dinheiro da Visanet, empresa da qual o Banco do Brasil tem 33% do capital, para agências do empresário Marcos Valério. O dinheiro é uma das principais fontes do esquema de compra de deputados pelo governo Lula, no episóido conhecido como “mensalão”.
De acordo com o relator, pelo menos R$ 10 milhões da quantia que Valério disse que repassou ao PT são de dinheiro público. Segundo investigações feitas pelo Banco do Brasil a pedido da CPMI, entre os anos de 2003 e 2004, a agência de publicidade DNA, de Marcos Valério, recebeu R$ 58,3 milhões de pagamento antecipado por serviços de publicidade para o Banco do Brasil.

