Divulgado nessa terça-feira, 23, pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), o Relatório de Liberdade de Imprensa mostra um aumento nos casos de assassinatos de jornalistas nos últimos 12 meses no país. No período foram registradas cinco mortes em que há indício de ligação com a atividade profissional. No relatório anterior da entidade, que abrangeu um período de dois anos – agosto de 2008 a 31 de julho de 2010 –, contabilizou-se apenas um homicídio, e por motivos não relacionados à profissão.
O documento ainda lista número proporcionalmente maior de censuras impostas a veículos de comunicação. O comparativo entre os últimos dois relatórios mostra que, nos últimos 12 meses, foram 12 casos contra 19 nos dois anos do documento anterior. A maior parte das decisões de censura da imprensa partiu do Poder Judiciário.
“É motivo de especial preocupação que entre tais eventos esteja a ocorrência reiterada de decisões judiciais proibindo jornais de publicar reportagens sobre determinados temas”, diz trecho do relatório.
A censura judicial a veículos de comunicação também foi discutida ontem na 6ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Expressão, no auditório da TV Câmara. No evento, o professor da USP Eugênio Bucci disse que dezenas de veículos sofreram com a nova modalidade de censura: “As ações que resultam em censura quase sempre decorrem da demanda de políticos ou de parentes de políticos. São os de cima que demandam a censura”.

