Os desafios da sociedade digital, a liberdade na internet e a utilização de informações pessoais de usuários foram abordados pelo programador e ativista Richard Stallman, considerado o criador do movimento Software Livre, durante a palestra ‘A Liberdade na Sociedade Digital’. O norte-americano esteve nesta segunda-feira, 4, no Palácio Piratini, para o lançamento do 13º Fórum Internacional de Software Livre (FISL13). A atividade também marcou a comemoração do primeiro ano de atuação do Gabinete Digital do Governo do Estado, completado no dia 24 de maio.
Stallman defendeu o uso de software livre para ampliar a inclusão digital e alertou para o uso indevido de dados de usuários por determinadas empresas. Destacou que grandes empresas praticam um monitoramento e coletam informações, por meio dos sites de redes sociais. “Muitas vezes os nossos computadores enviam informações para servidores sem a autorização dos usuários”, explicou.
O ativista relatou que alguns países, como Índia, China, Austrália, Paquistão e Turquia, sofrem diferentes tipos de restrições e lembrou que alguns governos impõem uma vigília permanente. A Turquia, que apresenta quatro níveis de censura, e a Austrália, que impede o acesso a alguns sites, foram apontadas como exemplos da ausência de liberdade no ciberespaço.
Para o ativista Marcelo Branco, ex-coordenador da Associação do Software Livre, a sociedade digital enfrenta novos desafios no pós-internet. “Essa sociedade, que nasce livre a partir dessas possibilidades, hoje sofre uma série de ameaças, principalmente vindo de algumas corporações que têm interesse em transformar a internet, que hoje é um espaço livre, num espaço fechado, vigiado e controlado”, afirmou.
Também presente no evento, o governador do Estado, Tarso Genro, reconheceu a importância do software livre e destacou a participação de Stallman na defesa da liberdade no ciberespaço. “Ele é umas das pessoas-chave que tem uma enorme responsabilidade pela difusão de uma luta para recuperar a densidade da democracia”.

