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De Porto Alegre para a capa da Mídia Ninja: cartaz de roteirista gaúcho repercute nacionalmente

Mensagem escrita por ator para o pai, que sofre de câncer, ganhou outra interpretação

Neste sábado, 3, diferentes manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro foram registradas em diversas cidades do Brasil. Entre tantos cartazes com frases impactantes, a do roteirista, locutor e editor de audiodescrição Rodrigo Teixeira teve grande repercussão. A imagem dele segurando uma cartolina com os dizeres “eu vim por nós pai” foi capa da Mídia Ninja e circulou no perfil do Instagram da atriz Taís Araújo. No domingo, 4, no entanto, o professor de teatro e ator publicou uma nota na rede social explicando a mensagem que ele queria transmitir. A reportagem do Coletiva.net conversou com Rodrigo para entender a situação. 

Há dois anos, o pai do ator luta contra um câncer para se manter vivo. Conforme Rodrigo, o pai dele o ensina diariamente que “a luta se faz todos os dias, em todos os espaços e, especialmente agora, a luta é para salvar os restos”. Por isso, as palavras se referiam a esta situação e de que ele estava lá, metaforicamente, com o pai dele. “Enquanto meu pai não puder estar lá comigo, eu estarei por nós.”

Ele acredita que é importante se manifestar nas ruas, pois “o Instagram e o Facebook são insuficientes para salvar as nossas vidas e o nosso futuro”. O ator disse que não imaginava que essa foto tivesse tanta veiculação. “Meu objetivo era tirar uma única foto e mandar para o meu pai, que foi a primeira pessoa a receber. Por isso, o cartaz era frente e verso: uma frase particular, outra pública”.

Outra interpretação

De acordo com o roteirista, as pessoas, em geral, ficaram sensibilizadas com a mensagem. Muitas pessoas pediram para tirar fotos. De 50, apenas duas perguntaram o que havia acontecido. Ao portal, ele afirmou que entende que, para quem não o conhece, a primeira leitura seja de que esse menino perdeu o pai para a Covid-19, visto que é raro não se conhecer alguém que tenha perdido para essa doença. “Mas não se trata disso, mas de todos aqueles que não estavam lá e ainda não entenderam a necessidade de manifestar a dor e o luto de milhares. Se o povo vai às ruas em meio à uma pandemia, é porque o governo é mais perigoso que o vírus”, argumentou.

Para ele, o que a maioria das pessoas entendeu se aplica ao contexto em que estamos vivendo. “No meio de um genocídio, quem homenageia alguém sem dizer o motivo, certamente será interpretado como o autor de uma despedida, porque estamos cercados por mortes prematuras.” Apesar da mensagem não ter sido interpretada de forma literal, ele acredita que ela segue verdadeira porque mobiliza  a sensibilidade e a empatia daqueles que perderam os seus amores. 

Questionado se a comunicação é importante para a transmissão da mensagem, ele destacou que “desde que a comunicação seja verdadeira e honesta, ela é válida. A interpretação é livre, mas pode se aproximar do real sentido provocado pelo autor, se o leitor tiver interesse em se aproximar do ponto de partida, da gênese da ideia, da metáfora, do jogo de palavras”. Por isso, ele não credita a compreensão das pessoas a fake news.  

Com 25 anos, Rodrigo Teixeira é ator, professor de teatro, ator e Mestrando em Artes Cênicas. O profissional também é roteirista, locutor e editor de audiodescrição em cinema, teatro, lives, oficinas, debates, conferências e livros. Atualmente, é professor de interpretação na Bublitz Academia de Musicais (BAM).

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