Após estrear na política como o deputado estadual mais votado do Rio Grande do Sul nas eleições de 2022, Gustavo Victorino (Republicanos) é pré-candidato à Câmara dos Deputados. Em conversa com a reportagem do Coletiva.net, o jornalista afirmou que a decisão de concorrer ao Congresso envolveu fatores pessoais e partidários, mas foi impulsionada pelos resultados do mandato estadual. “Depois de 154 projetos, dezenas de leis, mais de uma centena de pareceres, 92 cidades visitadas, mesmo sendo parlamentar com base na Capital, entendo que ampliar o meu horizonte parlamentar acabou virando uma necessidade inevitável.”
Caso seja eleito deputado federal, Victorino ressaltou que levará para Brasília as mesmas áreas que nortearam sua atuação na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS). “Todos os meus projetos têm foco exclusivo em saúde, educação e segurança, que, na minha opinião, compõem o tripé prioritário da gestão pública focada no cidadão”, argumentou.
Outro tema que o pré-candidato pretende defender é a revisão do pacto federativo. Na avaliação dele, o Estado perde oportunidades de investimento porque grande parte dos recursos arrecadados permanece concentrada na União. “Dois terços da riqueza do Rio Grande do Sul escorrem mensalmente para os cofres da União e nos tiram a capacidade de recuperação das perdas e de uma necessária retomada do protagonismo que já tivemos no passado”, explicou.
Do outro lado do balcão
A trajetória profissional no Jornalismo também influencia sua visão sobre o exercício do mandato. Victorino afirmou que a passagem da Comunicação para a Política lhe proporcionou uma nova perspectiva sobre a relação entre imprensa e figuras públicas.
“Passamos de pedra a vidraça, e isso exige um trabalho grande de conscientização e resignação. Nem todas as críticas são pertinentes e nem todas são minimamente educadas. Por isso, conhecer o Jornalismo na sua essência foi fundamental para entender o papel e a figura pública do parlamentar”, avaliou.
Ao comentar o cenário político, o pré-candidato ponderou que a polarização faz parte da democracia, mas que ela também pode gerar percalços. “Dificulta a convergência na discussão de temas polêmicos, nos quais a ideologia, quando cega, atrapalha decisões que tenham foco exclusivamente no cidadão e na cidadania”, pontuou.
Olhar para a Comunicação
Victorino também afirmou acompanhar com apreensão as transformações da atividade jornalística. Segundo ele, o fortalecimento de narrativas e fatores econômicos têm provocado distorções no exercício profissional.
“Confesso uma preocupação com o rumo que a profissão vem tomando por conta de narrativas que conseguem muitas vezes atropelar a verdade dos fatos. O componente econômico, que sempre existiu, vem sendo amplificado a ponto de extrapolar limites éticos, oscilando entre o profissional e o panfletário”, concluiu.

