No Dia Mundial da Fotografia, celebrado nesta quinta-feira, 19, o Coletiva.net traz uma série especial com fotógrafos gaúchos de diferentes nichos de atuação, para compartilhar o trabalho favorito de uma vida inteira dedicada aos cliques.
A imagem escolhida por Rodrigo Ziebell, repórter fotográfico do Gabinete do vice-governador, Ranolfo Vieira Júnior, retrata um dos momentos mais importantes e impressionantes da carreira do também policial militar, há 17 anos. O dia em que ele registrou o incêndio que destruiu o prédio Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP), local o qual trabalhou por sete anos na Comunicação, viveu tantas histórias e construiu amizades. De tão marcante ele lembra exatamente o dia e horário: 14 de julho de 2021, às 22h45.
Considerado por ele, que atualmente é presidente da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul (Arfoc-RS), o trabalho mais difícil até então, ele lembra que retornava de uma pauta em Guaíba quando souberam que uma sala da SSP estava pegando fogo. Como estavam por perto, foram conferir. “Quando cheguei na frente do prédio em chamas, por alguns momentos eu não sabia o que fotografar, não queria acreditar que aquilo estivesse acontecendo”.
Ele então se aproximou dos bombeiros, que trabalhavam para conter as chamas, e começou os primeiros cliques. “Foi tudo muito rápido, quando vi começaram as explosões. Confesso que procurava não pensar em nada, pois ali tinha (e tenho) muitas histórias, muitos amigos e colegas. Procurei focar em tentar contar a história das pessoas trabalhando para controlar o incêndio”.

Ele então se dirigiu para perto do caminhão dos bombeiros, no qual dois deles subiram uma escada. Houve uma pequena explosão e ele precisou se afastar. Em seguida veio uma mais forte e então o desabamento de uma parte do prédio. “Só apontei a câmera e fiz esse registro. Pensei que os colegas que estavam na escada tinham caído ou queimado no meio das chamas, mas, para nosso alívio, conseguiram descer a tempo”.
Foi no início da madrugada que ele soube que dois colegas estavam desaparecidos. Dessa forma, sabendo que eram dois amigos, a cobertura fotográfica ficou ainda mais difícil. “Mesmo assim, segui fotografando até o amanhecer, fui para casa só para tomar um banho e separar os primeiros materiais dessa tragédia”. Rodrigo foi todos os dias para o local fazer os registros. Assim, não teve muito tempo para notar algo de diferente nela.
No entanto, quando a foto saiu na imprensa e ele publicou nas redes sociais, ela “viralizou”. As pessoas começaram a enxergar imagens além do que estava exposto. Algumas enxergaram dois rostos olhando para os bombeiros e outros mais um bombeiro equipado na escada. Então ele ficou assustado e impressionado com o que captou. Apesar de ter muito sentimento envolvido, o repórter fotográfico conseguiu contar a história, mesmo não tendo um final feliz. “Perdemos muitas coisas, perdemos dois heróis, que morreram cumprindo sua missão. Mas tenho a certeza que honrei meus amigos, contando o ato de bravura deles, com todo carinho e respeito que eles e suas famílias mereciam”, concluiu.
Leia todas as matérias da série:
Dia Mundial da Fotografia: sobre o que está por trás da câmera
Dia Mundial da Fotografia: Uma foto de laços cubanos

