Nesta quinta-feira, 19, em que se comemora o Dia Mundial da Fotografia, o Coletiva.net apresenta uma série de registros capturados por fotógrafos gaúchos que atuam em diversas frentes da Comunicação Social.
A fotografia destacada por Ricardo Chaves completará 20 anos em outubro. Para ele, talvez tenha sido o momento mais emocionante da sua carreira de 40 anos como repórter fotográfico. O Papa João Paulo II estava no Brasil. Era sua segunda visita oficial ao país e, na oportunidade, ele visitou 10 capitais nos 10 dias em que esteve em solo brasileiro.
O profissional foi escalado pela Agência Estado (AE) como o único fotógrafo da empresa a acompanhar o trajeto do pontífice. O fato da narrativa aconteceu entre 12 e 21 de outubro de 1991. “Fui escolhido para integrar o ‘pool’ de jornalistas que voariam em um Boeing especial como parte da comitiva papal”, salientou.
Confinado no cercadinho destinado aos jornalistas de imagem, o profissional conta que avistou um garoto de rua, sujo e maltrapilho, furar o esquema de segurança. “Segundos antes que fosse retirado pelos agentes, foi acolhido pelo governador de Goiás, que, depois de poucas palavras, convidou-o a se manter na fila das autoridades para cumprimentar o pontífice”, relatou.
Conforme relembra, o menino permaneceu no local, diante do tapete vermelho que estava estendido e, ao contrário das outras pessoas, sem uma etiqueta com nome que o identificasse. O momento foi enquadrado e registrado com uma pequena teleobjetiva.
Na cena, a sapatilha de lona furada, o dedão saindo pelo buraco, as pernas finas e enlameadas contrastando com sapatos novos e lustrosos, meias de seda e sofisticados saltos altos femininos, postados em frente a cartões colocados no chão sobre o carpete, com a identificação de cada figurão. “Fiz a foto. Aquilo me emocionou profundamente”, relatou.

Quando a fila chegou ao fim, o papa abraçou o menino. “Foi um longo e carinhoso abraço a Reduzino, um brasileirinho, de 12 anos, criado nas ruas”, mencionou. O encontro de duas realidades tão distantes, conforme salienta o fotojornalista, o fez chorar compulsivamente. Após o momento, o pontífice deixou o local em um carro. Um colega de profissão italiano perguntou a Ricardo Chaves se ele havia perdido de registrar a visita. O diálogo foi o seguinte: “ ‘Perdeu a foto?’. Respondi que não. Tinha fotografado tudo. Ele, sem entender, disse apenas: ‘A foto é boa, por que chora?’ “
E, de fato, Ricardo Chaves acredita que os registros são bons. O que lhe deixava e ainda deixa inconformado é o contexto em que a imagem foi capturada.

Pontífice abraçou o menino por um longo período. Crédito: Ricardo Chaves

