‘Visions in the Dark’, da diretora e produtora de Cinema, editora e showrunner gaúcha Flavia Moraes, chega a Porto Alegre neste final de semana. Haverá uma sessão especial para convidados na sexta-feira, 1º de setembro, no Instituto Ling, e no sábado, 2, na Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – bairro Centro Histórico), às 19h – aberta ao público. O documentário explora a desconexão do ser humano com a natureza, utilizando a relação entre cavalos e treinadores como uma metáfora.
A diretora explica que, em sua visão, a falta de contato com a natureza “nos levou à cegueira contemporânea”. “Limitados à nossa própria perspectiva, nós nos afastamos de formas intuitivas de comunicação, estreitando nossa visão”, revela. Ao longo de quatro anos, Flavia viajou pela Patagônia, Irlanda, França e Alemanha, além dos Estados Unidos, para contar as histórias de Monty Roberts, criador de um método de treinamento não violento baseado em linguagem corporal silenciosa, e de sua instrutora principal, Denise Heinlein.
O filme também conta com depoimentos de especialistas em Comunicação, como Dennis Connolly, diretor da School of Looking, em Paris, e Yoko Tawada, escritora, além da cientista norte-americana Temple Grandin. “O documentário visa recuperar nossa habilidade de enxergar o mundo pela primeira vez. Pois ao nos reconectarmos com a natureza, nós nos reconectamos com nós mesmos. E quanto mais perto chegarmos, mais longe enxergaremos”, afirma a diretora.
Com o longa-metragem, a gaúcha, que crê na Comunicação como uma alternativa à violência, tem a intenção de “inspirar novas maneiras de enxergar”. “Sendo uma pessoa não binária, eu conheço o medo e a incompreensão. Já presenciei atos violentos como uma reação irracional à frente do desconhecido. Cavalos são minha paixão desde a infância, e eles podem ser a maneira de nos ajudar a entender nossa cegueira contemporânea”, completa.
‘Visions in the Dark’ já recebeu 24 prêmios em festivais como o Festival de Filmes Documentais de Los Angeles, o Festival de Cinema Indie de Berlim (Melhor Documentário e Melhor Direção) e o Festival de Cinema Paris Play (Melhor Direção, Edição e Fotografia). Ainda conquistou o ‘Prêmio de Cinema Independente de Londres’ (Melhor Direção), o ‘Prêmio Indie de Barcelona’ (Melhor Fotografia) e o ‘Prêmio de Cinema Independente de Milão’ (Melhor Filme).
Sinopse
Um treinador de cavalos e sua principal instrutora mostram ao mundo como um método intuitivo e não violento pode mudar a maneira que enxergamos a natureza e a nós mesmos, iluminando a cegueira contemporânea.
Flavia Moraes
Produtora cinematográfica, diretora, editora e showrunner. Passou 21 anos à frente da produtora Filmplanet onde criou um número expressivo de comerciais, filmes, documentários, séries de TV e grandes shows. A primeira mulher brasileira a entrar na Guilda dos Diretores da América foi premiada nos festivais de Cannes, Clio, London Awards, The New York Film Festival, entre outros. Mora em Los Angeles desde 2016, de onde tem focado em projetos que inspiram transformação e novas maneiras de pensar, permitindo-se criar narrativas não convencionais e libertadoras.
Ficha técnica
Escrito por Lins Ricon
Narrado por Bozsi Davis
Fotografia: Pedro Rocha
Música: Roberto Coelho
Edição, direção e produção: Flavia Moraes
Entrevistados: Allan Hook, Celina Cabezas, Claudio dos Santos, Denis Connolly, Eduardo Bueno, Denise Heinlein, Jorge Born, Monthy Roberts, Paulo Hafner, Peri Marzullo, Rodrigo Schlee, Temple Grandin e Yoko Tawada.
