O jornalista da Rádio Guaíba Sandro Fávero celebrou, na edição deste ano do Freio de Ouro, seus 10 anos como narrador do evento. As vivências na Comunicação contribuem para a construção do profissional que atua na competição de equinos. Agilidade, descontração, instantaneidade e conhecimento no setor de Agronegócio são características da profissão que ampliam seu conhecimento nas pistas. O comunicador conversou com exclusividade com a equipe de reportagem do Coletiva.net para comentar sobre sua trajetória, recordações e planos para o futuro.
Para Sandro, a chegada ao marco de uma década como narrador é a consolidação de um trabalho que se iniciou há 20 anos em outras modalidades hípicas quando ainda atuava em São Paulo. “Como gaúcho, voltar ao Rio Grande do Sul e trabalhar diretamente com o Cavalo Crioulo, animal símbolo do estado, era o que faltava em minha carreira para coroar a trajetória de narrações no universo equestre”, completou.
Após os 10 anos, a primeira recordação que vem em sua memória é do narrador Alexandre Crespo, falecido em dezembro de 2015. “Jamais me esquecerei do entusiasmo que ele transmitia quando falava da raça e do Freio”, relembrou. Em 2016, momentos antes de abrir a transmissão da primeira classificatória, ele fez uma prece e um agradecimento mentalmente ao profissional que havia partido. “Sabia que, a partir daquele momento, teria a enorme responsabilidade de dar sequência a um trabalho já consagrado”, afirmou.
Passado e presente
O tempo também trouxe mudanças entre Sandro que atuou no início e o profissional que hoje segue o ofício. “Neste período, o acúmulo de conhecimento das regras e da equitação crioula foi aumentando prova a prova, assim como o acompanhamento sistemático daqueles que promovem o espetáculo: cavalos, ginetes e criadores”, explicou. Mas para além do conhecimento, bordões também foram adquiridos ao longo dos anos, entre eles: “Pegou o elevador”, “Prova de almanaque” e o “10! 10! 10! Carimba!”.
Mas não foi só o profissional que viveu as transformações: as transmissões também. O conteúdo saiu da televisão e foi para a internet. Conforme o jornalista, o streaming chegou com tudo e a conectividade com o público trouxe uma possibilidade de interações que agregaram à condução das apresentações.
Sandro também é um comunicador, e suas vivências agregam nos dias de narração. Do Jornalismo Esportivo em rádio e TV — onde atuou anteriormente —, acredita ter herdado a agilidade, a descontração e a instantaneidade da informação. Enquanto com a cobertura diária do Agronegócio — primeiro no Canal Rural e atualmente na Rádio Guaíba — também foi fundamental para a sua formação. “O Freio de Ouro é mais que um desporto equestre, é uma prova zootécnica de seleção e melhoramento da raça crioula e isso está diretamente ligado à atividade primária”, diz Sandro.
O profissional acrescenta que estudos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) apontam que a raça movimenta mais de R$ 5 bilhões ao ano no Brasil. Nesse cenário reúne a venda de animais, mercado veterinário, rações, medicamentos, turismo e eventos esportivos. “Não há, portanto, como dissociar as narrações das notícias do setor. Aliás, grande parte dos criadores também são agropecuaristas”, completou.
Recordações de uma década
Momentos memoráveis não faltam, mas um dos que recordou ocorreu quando o narrador promoveu o encontro entre o para-atleta Ricardinho e o ginete Milton Castro. “Mesmo com a deficiência visual, Ricardinho acompanha as narrações e é um fã do ginete. Foi um encontro de titãs!”, relembrou. Já no cenário da atuação profissional, a que mais lhe marcou foi a final do Freio de Ouro da Federação Internacional de Criadores de Cavalos Crioulos (FICCC), disputada neste ano em Montevidéu, no Uruguai.
O título foi conquistado pelo cavalo uruguaio Colibri Matrero, com a montaria do brasileiro Gabriel Marty. “Foram somados três ouros no Brasil e mais três na copa do mundo do cavalo crioulo. O animal se tornou indiscutivelmente o maior cavalo crioulo da história do Freio de Ouro. Foi emoção pura!”, comentou o jornalista.
Segundo Sandro, quando se inicia um novo período de transmissões das classificatórias, parece impossível ser melhor do que a edição anterior. Porém, basta chegar ao final da Expointer para essa afirmação se tornar errada. “Sempre o melhor ainda está por vir”, afirmou. Para o futuro, o desejo do jornalista e narrador é seguir buscando por atualizações, além de acompanhar as mudanças tecnológicas.

