No primeiro semestre de 2010, as economias do Rio Grande do Sul e do Brasil têm crescido a taxas superiores a 6% e 7%, respectivamente. De acordo com a Fecomércio é importante atentar para dois fatores relevantes: primeiro, é necessário considerar a base fraca de comparação existente do ano anterior, responsável por gerar capacidade ociosa na economia; segundo, as taxas acima referidas podem ser alcançadas mesmo sem novas taxas de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) até o fim do ano. Assim, a manutenção da economia no nível atual é factível para os próximos meses, pois o crescimento acentuado não trouxe nenhuma restrição advinda da insuficiência de capacidade instalada.
Devido à crise econômica, o PIB apresentou decréscimo ao longo do ano passado, desse modo, 2009 é considerado uma base fraca de comparação. Do ponto de vista da economia real, o resultado foi a elevação da capacidade ociosa, com reduções no emprego e na utilização do maquinário. No início de 2010, verificou-se a retomada de investimentos, o que levaria o país a crescer em torno de 4,5%, taxa compatível com a capacidade da economia brasileira, em situação normal, ou seja, sem diminuição de produto no ano anterior. Houve, ainda, a reocupação de atividades cessadas no ano passado, ampliando a parcela da capacidade instalada e realocando os postos de emprego anteriormente perdidos, o que foi feito, em grande parte, com utilização de maquinário e mão de obra já existentes. Considerando os dois anos, é possível verificar que o crescimento acumulado situou-se abaixo de 8%, o que é factível à capacidade de crescimento anual.
Através de um exercício empírico, que utiliza o Índice de Atividade Econômica, estimado pelo Banco Central, foi verificado que caso o PIB fosse mantido nos patamares atuais até o fim do ano, o crescimento, em relação ao ano passado, seria de 7,1% para o Brasil e 5,6% para o Rio Grande do Sul, resultados superiores ao padrão de crescimento dos últimos anos. Desse modo, a manutenção do nível de produto nos próximos meses é suficiente para que os níveis de crescimento estimados sejam atingidos. Os elevados indicadores de confiança, tanto do consumidor como da indústria e dos serviços, tornam pouco provável que ocorra um decréscimo significativo no nível de atividade.
O crescimento da economia nesse ano é causado pela combinação de uma expansão da atividade e de uma depressão existente no ano anterior. Portanto, o crescimento real da economia em 2010 já está garantido, pois não depende mais do aumento do produto nos próximos meses, basta que esse permaneça estável.


