O atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, realizou 116 ataques à imprensa no ano que recentemente acabou, 2019. Em média, foram cerca de 10 manifestações mensais contrárias a jornalistas, veículos de comunicação e à imprensa em geral durante o primeiro ano em exercício do cargo. O levantamento foi realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Estes dados apresentam registros feitos por escrito nos meios oficiais do presidente – Twitter, entrevistas e discursos transcritos no site do Planalto. Esmiuçando os números, ao todo, foram 11 ataques a jornalistas, e 105 tentativas de descredibilização da imprensa.
Maria José Braga, presidente da Fenaj, cita que a principal preocupação da entidade é com a democracia e as instituições democráticas. “Também nos preocupa a questão objetiva da segurança dos jornalistas. Quando um chefe de Estado ataca sistematicamente profissionais e veículos de imprensa, incentiva que seus apoiadores façam o mesmo, inclusive com intimidação, ameaças e até agressões. Bolsonaro potencializa a agressividade e, com isso, afronta os valores democráticos”, afirma ela.
A Fenaj e o sindicato dos jornalistas estão pedindo para as redações reavaliarem a decisão de deslocar repórteres para cobertura de entrada e saída do Palácio da Alvorada, local que é dividido com o público, em parte apoiadores do presidente e que constantemente ameaçam os profissionais de imprensa.
Márcio Garoni, diretor da federação, comenta que as declarações de Bolsonaro alimentaram a hostilidade contra jornalistas em 2019. “. Alguns ministros também passaram a fazer uso dessa tática, e isso incentivou simpatizantes do governo a perseguir estes profissionais nos meios digitais, com mensagens ameaçadoras e exposição de dados privados. É uma tentativa desesperada de enfraquecer o exercício do Jornalismo, e de desviar o foco das denúncias contra o governo que vêm se somando desde o início de 2019”, finaliza.
A Fenaj realizará o mesmo monitoramento durante o ano de 2020.

