Há seis anos, Coletiva.net anunciava a campanha ‘O Trabalho do Jornalista vale mais’, que fora promovida pelo Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul (Sindjors). Tal ação buscava ratificar o acerto quanto ao piso salarial dos profissionais e ganhou engajamento da categoria, que repercutia com frequência o slogan nas redes sociais. Este é o fato que o Túnel do Tempo relembra hoje, quando faltam quatro meses para os 20 anos do portal. Em exclusiva ao portal, José Nunes, à época presidente do sindicato, relatou que a ideia surgiu no sentido de valorizar a profissão e que, a partir deste movimento, foi integrado o conceito de que ‘sem jornalista não há informação’.
Em outubro de 2012, ano em que foi dado o pontapé inicial da ação, a provocação era sobre as condições de trabalho dos profissionais. “A sociedade incorporou a ideia de que o jornalista é realizado e com altos salários. Em parte, ela até tem razão. Mas a maioria enfrenta não só o descaso do patronato com os baixos salários, mas também com as péssimas condições de trabalho”, relatou Nunes, que ainda afirmou: “Muitos deles realmente ganham uma boa remuneração, mas, para isso, submetem-se a jornadas extenuantes, duplas ou triplas, e, ao longo da carreira, acarretam uma série de problemas de saúde, como lesões por movimentos repetitivos, depressão e até mesmo dependência química”.
Contudo, existia à época um dilema que apontava para como iriam noticiar esta ação e a gestão de Nunes optou por convidar todos os profissionais a levarem adiante a campanha, principalmente por meio das redes sociais. O primeiro post, divulgado na fanpage do sindicato no Facebook, atingiu 10 mil visualizações e 117 compartilhamentos em seis horas. Além dos diversos ‘twittaços’ e posts com a hashtag #OTrabalhoDoJornalistaValeMais, foram utilizadas imagens que provocavam reflexão sobre a situação atual e a importância do trabalho do profissional de imprensa. Algumas peças específicas foram veiculadas em rádios e outdoors espalhados pela cidade. “O Sindjors pedia que os chamados veículos alternativos fizessem a divulgação das nossas ações, a fim de mostrar o que é sonegado pela grande mídia.”
O engajamento da classe foi fator preponderante para a continuação da ação, pois, segundo Nunes, os jornalistas avistaram na campanha uma possibilidade de se manifestarem sem ser agressivos. “As pessoas se engajaram juntas, eram artistas, jogadores de futebol, empresários, dirigentes de outras entidades, reitores e etc. A campanha tomou uma proporção gigantesca e seguiu mesmo após eu ter deixado a presidência, e, de certa forma, é usada ainda hoje”, orgulha-se o ex-presidente.
Ao comparar com o cenário atual, ele destacou como é importante reviver campanhas como essa que buscam a valorização da profissão. Finalizou enfatizando acreditar que o jornalista, guardadas as proporções, pode ser comparado a um super-herói. “Eu acredito que, sim, somos verdadeiros heróis, com poderes de defender toda a sociedade, mas, infelizmente, não nos defendemos. A categoria acha feio ser corporativa e isso é um erro, porque só assim defenderemos o nosso espaço e a profissão como um todo”, concluiu Nunes.
Confira a notícia na íntegra: Jornalista vale mais
Janeiro de 2013
Para dar seguimento à tentativa de acertar o piso salarial dos profissionais, o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul promove uma mobilização chamada Twittaço. A entidade convoca a categoria para usar a hashtag #OTrabalhodoJornalistaValeMais.

