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Em cobertura, jornalista norte-americano é morto por soldados russos na Ucrânia

Brent Renaud, de 50 anos, foi atingido por tiros nos arredores de Kiev, segundo a polícia

O chefe de Polícia de Kiev, Andriy Nebytov, informou que um repórter norte-americano foi morto a tiros neste domingo, 13, em Irpin, cidade dos arredores da capital ucraniana Kiev. O profissional era Brent Renaud, de 50 anos, que já havia trabalhado para o jornal The New York Times e acumulava prêmios como jornalista e cineasta. As informações dão conta que ele foi alvo de soldados russos, ao lado de outros dois colegas, que ficaram feridos e receberam atendimento médico.

Trata-se da primeira morte de um profissional de Imprensa estrangeiro desde o início da guerra na Ucrânia. Um dos jornalistas feridos no ataque, Juan Arredondo, relatou o acontecimento em um vídeo no Twitter. “Estávamos atravessando uma das primeiras pontes de Irpin, para filmar outros refugiados saindo, e entramos em um carro”, disse. Nas imagens, filmadas logo após o acontecido, ele aparece dentro de um hospital.

“Alguém se ofereceu para nos levar para a outra ponte, cruzamos um posto de controle e eles começaram a atirar em nós. O motorista se virou e eles continuaram atirando; há dois de nós, meu amigo é Brent Renaud, e ele foi baleado e deixado para trás. Eu o vi sendo baleado no pescoço”, contou.

Confira o vídeo abaixo:

Veículos se manifestaram

Fotografias que circulam pela internet ainda mostram um crachá de imprensa de Brent, emitido pelo The New York Times. Contudo, em um comunicado, o jornal manifestou estar “profundamente entristecido” pela morte do jornalista, mas acrescentou que não o havia contratado para cobrir a guerra na Ucrânia. A nota ainda informa que o profissional trabalhou pela última vez para o veículo em 2015 e a identificação que ele usava havia sido emitida anos atrás.

Brent já havia coberto conflitos no Afeganistão, Iraque e Haiti. Ele ganhou um prêmio Peabody, um dos mais importantes dos Estados Unidos, por sua série de reportagens de 2014, nas escolas de Chicago. A emissora NBC News, por onde também tinha passagem, afirmou que seus “pensamentos e orações” estão com a família e elogiou as contribuições do repórter ao veículo. No entanto, a empresa também acrescentou que o profissional não estava trabalhando para eles na Ucrânia.

EUA pode reagir

Em entrevista à emissora CBS News, o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, disse que o país poderia impor “consequências apropriadas” contra a Rússia pela morte de Brent. “Isso é parte integrante do que tem sido uma agressão descarada por parte dos russos, onde eles atacaram civis, hospitais, locais de culto e jornalistas”, disse.

A morte de Brent ocorre menos de duas semanas depois que o jornalista Yevhenii Skaum, cinegrafista do canal de televisão ucraniano LIVE, morreu quando uma torre de transmissão de TV em Kiev foi atingida por um bombardeio. Alguns dias depois, profissionais britânicos da Sky News também foram vítimas de uma emboscada russa enquanto entravam na capital Kiev.

Saiba mais:

Jornalismo sofre com ataques e censura na Guerra da Ucrânia

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