O jornalista Paulo Pimenta está entre os nomes que concorrem a uma das vagas para o Senado. O pré-candidato pelo Partido dos Trabalhadores (PT) iniciou sua carreira política como vereador de Santa Maria, em 1989. Quando concluiu a graduação em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), já exercia o segundo mandato como vereador. Em entrevista exclusiva ao Coletiva.net, o comunicador falou sobre sua trajetória na área da Comunicação e a experiência na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR).
Para Pimenta, sua formação em Comunicação fez com que seu olhar sobre a política fosse construído também a partir da perspectiva do Jornalismo. “Isso nos deu capacidade investigativa, capacidade de elaboração, crítica”, afirmou. Segundo ele, essa formação também possibilitou acompanhar, desde o início, as mudanças tecnológicas da internet, que avançaram na realidade atual dos portais de Comunicação das redes sociais.
Ao abordar a defesa para o setor, o jornalista destacou ser o autor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que restabelece a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. “Participei ativamente de todos os debates que envolveram as questões das plataformas digitais, o marco civil da internet, as novas formas de financiamento da Comunicação, discutidas em diferentes países, e também do debate sobre as fake news”, completou.
Desafios do setor
Pimenta também recordou que, quando esteve à frente da Secom, teve a oportunidade de participar de debates que envolveram a comunidade europeia e o Mercosul, buscando acompanhar essas discussões e contribuir para que o Brasil fosse protagonista nesse cenário. O pré-candidato acredita que o principal desafio do Jornalismo e da Comunicação na atualidade é sobreviver à lógica das plataformas e das redes sociais que, de acordo com ele, se apropriam do conteúdo gerado pelo Jornalismo sem remunerar a atividade.
Conforme ele, os sites de busca se tornaram grandes mercados que não produzem conteúdo e oferecem poucas oportunidades de emprego, criando uma espécie de precarização do trabalho do setor. “Acho que o grande desafio hoje é construir mecanismos que possam garantir a sobrevivência do Jornalismo e a remuneração justa e adequada daqueles que produzem conteúdo”, acrescentou.
Experiência na Secom
Quando questionado sobre se a atuação como ministro da Secom mudou sua percepção sobre as demandas dos profissionais da Comunicação, Pimenta respondeu: “A minha presença na Secom, com certeza, mudou muito essa percepção, até porque as mudanças tecnológicas têm ocorrido de uma forma muito rápida, muito dinâmica”. Para ele, a realidade atual é diferente da vivida cinco anos atrás.
Segundo Pimenta, temas como veracidade do conteúdo, o combate às fake news, o discurso de ódio na internet, a homofobia e a misoginia têm levado a sociedade a refletir sobre a falta de regulamentação das plataformas digitais. Conforme o comunicador, essa realidade faz com que parte da população comece a buscar veículos e espaços de Comunicação com mais credibilidade. Nesse contexto, a figura do jornalista surge como o profissional capaz de mediar diferentes versões dos fatos. “Trabalhando a ideia do contraditório e outros fundamentos básicos do Jornalismo”, finalizou.

