Sentimentos, emoções e desafios da propaganda foram assuntos constantemente citados e refletidos pelos participantes do painel ‘O poder das histórias na TV, no cinema e nas novas telas’. Com auditório inicialmente lotado, os cineastas Zé Pedro Goulart e João Jardim discorreram sobre a influência das diferentes mídias, as quais chamaram de janelas, na criação audiovisual.
“Não estou aqui para julgar qual dos meios é o melhor, apenas para mostrar como eles se moldam aos públicos que atendem”, justificou Zé Pedro, que utilizou de uma mesma cena do diretor Alfred Hitchcock e a adequou para televisão e internet. Fazendo uma analogia com as janelas da vida, que, para o palestrante, podem ser vistas por diversos ângulos, o cineasta encerrou sua explanação deixando uma dica: “As pessoas precisam fazer parte da história, por isso, curtam as suas janelas e ultrapassem elas”.
João Jardim também passou sua mensagem em tom sentimental, falando em desafios da propaganda e fazendo analogias com o cotidiano. “Todo mundo gosta de ouvir histórias e entendê-las. Então, a publicidade precisa achar formas criativas para passar suas mensagens sem precisar dizê-las. Quando queremos atingir um público, usamos de elementos audiovisuais que se relacionem com as pessoas que receberão estas informações”, revelou João. Ele encerrou afirmando que filme bom é aquele que, desde o início, deixa a pergunta clássica “o que vai acontecer depois?” e a responde no final. “É isso que faz valer a pena as mais de duas horas que o sujeito fica sentado assistindo a um filme”, ponderou.
O sócio-diretor de Criação da Paim, Rodrigo Pinto, debateu com os cineastas e acrescentou suas opiniões norteadas pela ideia que “ninguém liga a TV para ver comerciais, e isso faz com que o desafio seja constante para o mercado”. Após todos concordarem que a grande tendência audiovisual são os vídeos virais, Rodrigo concluiu afirmando: “A propaganda precisa continuar emocionando as pessoas. Por mais que o público saiba o óbvio, a publicidade tem o dever de saber passar esta obviedade”. Fechando o painel, Zé Pedro garantiu: “Apesar da pouca idade (em referência à maioria da plateia ser de estudantes), um dia vocês entenderão que a vida não tem sentido, mas as histórias têm”.


