Mesmo depois de o deputado federal Giovani Cherini (PDT) manifestar intenção de retirar a denúncia contra o músico gaúcho Tonho Crocco, a polêmica em torno da ação aberta contra o artista está longe de acabar. Nesta sexta-feira, 5, o Sindicato dos Compositores Musicais do Estado (Sicom), a Associação Gaúcha de Defesa dos Direitos Autorais Musicais (Agaddam), o Movimento Cultural RS Música e a Coopersmúsica divulgaram “Carta Aberta aos Gaúchos” sobre o episódio.
No documento, as entidades afirmam entender que é correta a representação aberta por Cherini contra o músico junto ao Ministério Público: “Se foi feita uma ofensa pública à Casa Legislativa Gaúcha, deve haver uma possibilidade de conciliação, que acreditamos seja o pedido de desculpas que o compositor já externou quando foi entrevistado pela mídia”. Declaram ainda “que não há motivo algum para tanto alarde e consideramos muito prejudicial a forma distorcida com que os fatos vêm sendo informados ao grande público, gerando uma polêmica desnecessária e que, a nosso ver, não corresponde à verdade”.
As entidades salientam ter recebido, sempre, “o absoluto respeito de parte da pessoa do deputado Giovani Cherini, sua equipe, assim como da Casa Legislativa Gaúcha, sendo ambos parceiros, ao longo de 10 anos, do nosso trabalho e, inclusive de nossas lutas mais caras”. Até o momento, esta foi a principal manifestação pública de desagravo a Cherini, que não recebeu o aval sequer de parlamentares que o estimularam a acionar o Ministério Público.
Crocco, por sua vez, foi homenageado nesta sexta-feira pelo cantor Nenung, da banda The Darma Lóvers, com a canção Broder Tonho. “Querem prender meu irmão/Por que ele fala por todos/No seu papel de artista/Denunciando indecência num poder”, dizem os versos iniciais da composição. Para o dia 22 de agosto está marcada a audiência de conciliação entre Cherini e Crocco, acusado de crime à honra. Se Cherini, de fato, retirar a denúncia, a audiência poderá não ocorrer. Ainda assim, mais de 8 mil pessoas confirmaram presença em um evento no Facebook, que pede para que o público vá à audiência em defesa pela liberdade de expressão e contra a censura.
A representação contra Crocco foi apresentada em janeiro. O músico é autor do rap Gangue da Matriz, uma crítica ao aumento salarial aprovado por parlamentares gaúchos para si mesmos, em dezembro – a remuneração aumentou 73% e passou de R$ 11,5 mil para R$ 20 mil. Na época, estimulado pelos 36 deputados citados na canção, Cherini enviou ofício ao Ministério Público. Nesta semana, o processo se tornou público, gerando protestos em redes sociais contra a atitude de Cherini e a favor de Crocco – o que incluiu ataque de hackers contra o site do Legislativo. A página saiu do ar na noite de quarta-feira, 3 de agosto, e assim permaneceu até a manhã de quinta-feira, 4 de agosto.

