Os jornalistas que cobrem Política em Porto Alegre enfrentaram uma coletiva de imprensa atípica hoje. A entrevista teve de ser realizada durante o almoço em homenagem ao deputado Aldo Rebelo, presidente da Câmara dos Deputados, que veio ao Estado exclusivamente para receber a Medalha do Mérito Farroupilha. Como chegou atrasado, coletiva, almoço e homenagem foram realizados no mesmo ambiente, com a participação de autoridades e duas dezenas de deputados estaduais.
A entrevista foi bem organizada pelo superintendente de Comunicação da Assembléia, Marcelo Villas-Bôas, o que não impediu que o presidente da Câmara passasse por alguns momentos de verdadeira saia-justa. O primeiro foi ao responder parcialmente a pergunta inicial, formulada pela colunista de Zero Hora Rosane Oliveira, que, ao final da resposta, quebrou o protocolo para advertir que o deputado não respondera à questão, sobre quais os principais projetos que poderiam ser votados ainda este ano, após superado o episódio da cassação de José Dirceu.
Outro momento de leve tensão ocorreu na última questão, apresentada pelo repórter da RBS TV Marcelo Magalhães, sobre as críticas do presidente Lula, que acusou o Congresso de ter executado a cassação sem provas. O jornalista Chico Oliveira, da sucursal de O Globo, mesmo fora do microfone, passou a questionar Rebelo: afinal, se ele não considerava uma ofensa ao Legislativo o fato de o principal dirigente do Executivo acusar os deputados de efetuarem um julgamento sem provas. Rebelo deu respostas evasivas, o que levou Chico a fazer outros dois duros questionamentos, para desespero do coordenador Villas-Bôas.
A entrevista durou meia hora, e para ela estavam credenciados 47 profissionais, entre repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. Entre discursos e a homenagem final, foi servido o almoço, que incluía mix de saladas verdes e medalhão de filé com molho mostarda e shitake.

