O inspetor aposentado do DOPS gaúcho João Augusto da Rosa, codinome ‘Irno’, um dos sequestradores em Porto Alegre dos uruguaios Universindo Díaz, Lílian Celiberti e seus dois filhos, Camilo e Francesca, tenta nesta quarta-feira, 25, um recurso na Justiça gaúcha para condenar o jornalista Luiz Cláudio Cunha. O sequestrador recorreu na ação indenizatória que abriu, em 2009, contra o jornalista e a Editora L&PM que, em 2008, publicaram o livro Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios — uma reportagem dos tempos da ditadura. O policial se considera injuriado pela história que o livro relembra, embora os fatos do sequestro tenham recebido ampla cobertura, que durou 86 semanas, da revista Veja, entre novembro de 1978 e junho de 1980.
Então chefe da sucursal da Veja no Rio Grande do Sul, Luiz Cláudio foi testemunha involuntária do sequestro, praticado em novembro de 1978, numa ação combinada de forças militares do Exército uruguaio e de policiais do DOPS gaúcho no âmbito da ‘Operação Condor’, organização clandestina integrada pela repressão das seis ditaduras do Cone Sul na década de 1970. A desembargadora Marilena Bonzanini, da 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, relatora do processo, julgará o recurso a partir das 14h, em conjunto com outros dois desembargadores: Íris Helena Medeiros Nogueira e Leonel Pires Ohlweiler.
A séria de reportagens rendeu à revista, em 1979, os principais troféus de jornalismo do país, incluindo o Grande Prêmio Esso. A obra da L&PM, já em segunda edição, ganhou na categoria de livro-reportagem os dois principais prêmios literários do país – o Jabuti e o Vladimir Herzog –, além de Menção Honrosa do prêmio Casa de Las Américas, de Cuba.


