O segundo painel do Fórum dos Grandes Debates – No Caminho de Um Novo Rio Grande, que acontece na Assembleia Legislativa, abordou o momento econômico do Brasil e do Rio Grande do Sul. O painel se iniciou às 14h, com a participação do professor e doutor em Economia Marcelo Portugal, o ex-governador Germano Rigotto e o executivo José Galló, que traçaram um quadro preocupante da situação econômica, em especial em relação ao Estado.
“É necessário que sejam canalizados esforços e energias positivos por todos. Mas não se pode trabalhar só com ideias, é preciso executá-las para que os resultados apareçam”, advertiu José Galló, presidente das Lojas Renner. O executivo propôs a formação de um grupo gestor reunindo representantes de todos os segmentos estaduais: público, privados e centrais sindicais para que seja discutida e construída “alternativa séria e viável para o Estado, um plano estratégico suprapartidário que contenha um pacto de não agressão e que não mencione o passado, com projetos e responsáveis por sua execução. Caso isso prospere, poderemos ter um melhor Rio Grande do Sul em 10 ou 12 anos”, previu.
Segundo ele, o primeiro passo é reconhecer a realidade e enfrentá-la. O empresário voltou a advertir para a necessidade de pragmatismo no atual quadro. “Não se pode trabalhar com fantasias. Como foi proposto pela manhã (no painel sobre os gargalos da economia do RS), é necessária a união dos setores público, privado e academia, na direção de um rumo sério e consequente.”
Em sua manifestação, o professor Marcelo Portugal analisou o momento econômico do Brasil e do Estado, destacando que o RS vivencia situação pior. “São problemas estruturais, difíceis de resolver”. No primeiro mandato da presidente Dilma, apontou, houve aumento do Estado, um inchaço da máquina e do gasto público. “Também houve redução seletiva de impostos; aumento da fatia dos bancos públicos no mercado de crédito: utilização das estatais para crescimento da economia, como a Petrobras; atraso nas obras de infraestrutura e nas concessões, com baixa taxa de retorno; controle direto dos preços de combustíveis e energia. Portanto, na primeira gestão de Dilma, um Estado indutor da economia, aumentando os gastos públicos em vez de tentar estimular a iniciativa privada a investir mais”, comentou.
O resultado foi a elevação da inflação (Lula II 5,15% e Dilma I, 6,17%), a queda do PIB (Lula II 4,6% e Dilma I 2,13%) e elevação acentuada do déficit público (Lula II 2,48% do PIB e Dilma I, 6,70% do PIB), “um desastre”, resumiu, acrescentando que um dos erros macro da administração Dilma era manter uma previsão inflacionária de 6,5% tolerável, ante os 4,5 anteriores em termos de previsão. “Assim, o ministro Joaquim Levy veio para consertar e controlar o processo”, opinou. Para ele, o chamado “estelionato eleitoral” da presidente Dilma (promessas de não elevar taxas, impostos e preços) foi necessário. “Ainda bem, para a economia nacional, que ela não cumpriu. Estancando o processo negativo, poderemos ter uma recuperação do país a partir de 2016, 2017”, previu.
Dos 27 estados da federação, o Rio Grande está em último lugar em termos de volumes de investimentos, em proporção à receita corrente líquida. No entanto, a arrecadação cresce. De 1997 a 2014, houve um crescimento de 132% acima da inflação. Ocorre que o gasto corrente do Rio Grande é elevado demais. É preciso ter consciência deste quadro: gastar menos, investindo mais. O gasto corrente necessita ser estancado, pelo menos pelos próximos três ou quatro anos”, advertiu.
Ao comentar o cenário do País, o ex-governador Germano Rigotto considero que o ajuste fiscal proposto vem para “corrigir os rumos. Um processo duro e complicado, que vai na contramão daquilo que a Nação almeja. Mas não havia outro caminho”, ponderou, citando a projeção de PIB negativo para 2105. “Vamos andar para trás, vamos decrescer, com previsão de desemprego e queda dos ganhos salariais. Portanto, para reverter isso, e para voltar a crescer, o País precisa deste aperto, deste ajuste, para também conter o déficit público”.
Quanto ao anúncio pelo governo central, nesta terça-feira, 9, de um pacote com concessões (PPPs – parcerias público-privadas), no valor de R$ 180 bilhões, Rigotto sublinhou que “as medidas vêm tarde. O governo demorou demais para isso, porque, no momento atual, as empresas grandes estão comprometidas e desacreditadas. Para este processo dar certo é preciso confiança”. Destacando que estas parcerias demoram a dar resultado, pela burocracia envolvida.
Germano Rigotto observou que o agronegócio tem salvado o Brasil e o Rio Grande, com grandes safras e câmbio favorável no momento. “De outra parte, a desindustrialização nacional, pelo custo Brasil (juros elevados, câmbio flutuante e inflação), atinge o Estado, numa competição desigual com empresas de fora”. Ele lamentou as oportunidades que o Congresso perde de promover reformas efetivas, como a política e a tributária. “Nem o governo, nem o Congresso mostram vontade, o que gera desconfiança”, apontou.
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