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“Esta é a maior cobertura da qual eu participo”, destaca Kelly Matos sobre a Copa do Mundo

Comunicadora do Grupo RBS fala sobre os desafios, bastidores e sua crença de que o Jornalismo é um trabalho coletivo

A jornalista Kelly Matos está vivendo a maior cobertura de seus 20 anos de carreira. Integrando a equipe da RBS na cobertura da Copa do Mundo de Futebol, nos Estados Unidos, ela percorre diferentes cidades, enfrenta longos deslocamentos, calor intenso e jornadas exaustivas, mas resume a experiência em uma palavra: privilégio. “Em termos de grandiosidade e tamanho, essa é a maior cobertura que eu participo”, resume.

Em exclusiva ao Coletiva.net, Kelly contou que participar da cobertura do Mundial supera, em dimensão, todas as experiências anteriores. Isso porque ela já fez parte de eleições presidenciais, julgamentos no Supremo Tribunal Federal, Operação Lava Jato, atuação como correspondente em Brasília e, até mesmo, as duas coberturas do Oscar.

O que ela vai fazer na Copa? 

Kelly diz que encontrou na Copa um ambiente que traduz exatamente o que acredita sobre o Jornalismo: versatilidade, entrega e trabalho em equipe. Embora sua atuação diária esteja concentrada na política e no entretenimento, nos Estados Unidos ela transitou entre diferentes frentes de cobertura. Fez entradas ao vivo, entrevistou torcedores, jogadores como Alisson, Marquinhos e Matheus Cunha, personalidades, além de acompanhar desdobramentos da geopolítica internacional durante os primeiros dias da viagem.

“Quando me chamaram, muita gente se perguntava o que eu iria fazer em uma cobertura esportiva. Eu simplesmente fui fazer Jornalismo. Se precisavam de uma entrevista com um jogador, eu fazia. Se era com torcedores, eu fazia. Se aparecia uma pauta política, eu fazia também”, esclarece. 

O ouro do Mundial

Apesar da proximidade com grandes nomes do futebol, o momento mais marcante da cobertura aconteceu longe dos gramados. O ápice profissional até o momento, segundo ela, foi uma entrevista exclusiva com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL).

O encontro ocorreu de forma inesperada em um aeroporto. Alertada pelos colegas Lelê Bortholacci  e Rafael Diverio sobre a presença do dirigente, Kelly deixou as malas de lado, aguardou o momento adequado para abordá-lo e conseguiu uma entrevista exclusiva, publicada em primeira mão pela RBS.

“Nenhum outro veículo havia conseguido entrevistá-lo naquele momento. A repercussão foi enorme, pois era a primeira vez que ele se manifestava – após o vídeo de Michelle Bolsonaro que alfinetava o enteado, Flávio Bolsonaro (PL). Band, CNN, GloboNews e SBT pediram autorização para utilizar o material. Foi um daqueles momentos em que a gente lembra por que escolheu ser jornalista.”

A lição que veio dos bastidores

Mais do que uma experiência profissional, Kelly afirma que a cobertura reforçou uma convicção pessoal: grandes coberturas só acontecem graças ao espírito coletivo. Antes da viagem, ela pediu um conselho ao jornalista Luciano Potter. A resposta se transformou em uma espécie de mantra para esta missão. “Ele me disse: ‘Esteja lá para ajudar as pessoas’. Eu trouxe essa frase comigo. Sempre que eu posso, busco um café para alguém, uma água, um chocolate, ajudo quem precisa.”

Esse mesmo cuidado voltou para ela por meio da colega Cacau Corazza, companheira de quarto durante a cobertura. “A Cacau foi uma das maiores surpresas desta Copa. Todos os dias cuidava para que eu tomasse café da manhã, comprava frutas, iogurte e se preocupava para que eu me alimentasse. Isso reforçou uma convicção que eu já tinha: pessoas vêm acima de tudo.”

Comunicação em todas as plataformas

Ao avaliar o impacto da experiência, Kelly afirma que está ainda mais convencida de que o jornalista contemporâneo precisa dominar diferentes linguagens e plataformas. Durante a cobertura, produz conteúdo para rádio, televisão, portal e redes sociais, muitas vezes simultaneamente.

“Hoje a comunicação é integrada. O profissional precisa estar preparado para atuar em diferentes formatos sem perder a qualidade da informação.” A Copa continua a pleno vapor, mas Kelly sabe que retornará diferente. “Ninguém volta igual de uma experiência como essa. Além do aprendizado profissional, eu estou ainda mais convencida de que o Jornalismo se faz em equipe. E que cuidar das pessoas é tão importante quanto entregar uma boa reportagem.”

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