
Existe vida após o cancelamento? De acordo com o CEO dos Estúdios Flow, André Gaigher, sim. O executivo subiu ao palco do 23º Festival Mundial de Publicidade de Gramado nesta sexta-feira, 9, e falou sobre a trajetória profissional junto à empresa de podcasts e o processo de reinvenção conduzido dentro da organização, com funcionários após o episódio de cancelamento sofrido em fevereiro de 2022.
Na ocasião, o apresentador Bruno Monteiro Aiub, mais conhecido como Monark, defendeu a criação de um partido nazista, o que é proibido por lei. Durante um programa, ele argumentou sobre o assunto com a deputada Tábata Amaral e justificou ser a favor da liberação de “tudo”. Nos dias que se seguiram, o ‘Flow’ e outros podcasts do estúdio perderam diversos patrocinadores.
De acordo com Gaigher, após esse ocorrido, o faturamento passou de R$ 1,5 milhão mensal para R$ 38 mil. “Quando se chega nesse patamar, ninguém espera que vai acabar de um dia para o outro”, afirmou. Na visão do executivo, atualmente, o cancelamento “é muito mais sobre quem fala, do que aquilo que é falado”. “Não estou dizendo que não houve um erro, mas ninguém parou para pensar no que os Estúdios Flow estavam fazendo em outras frentes”, ponderou.
Além do ‘Flow’, também foram afetados outros programas da empresa, como o ‘Avesso’, voltado a temas de periferia, o ‘Vênus’, dedicado ao universo feminino, e o ‘Flow Sport Club’, com foco no esporte. “Chamamos nossos colaboradores, que hoje são mais de 100, e explicamos que a situação estava resolvida com a saída do Monark, mas que ainda viriam tempos difíceis”, relatou Gaigher. Na ocasião, também foi dada a oportunidade aos que quisessem entrar em um programa de autodemissão – no qual seriam garantidos dois meses de salário -, porém, de acordo com o executivo, ninguém aderiu.
Legado, liberdade, ordem e caos
Gaigher apresentou alguns conceitos que guiam a atuação dos Estúdios Flow: legado, liberdade, ordem e caos. “Se você espera que a construção de um projeto será um caminho bonito, você está enganado, não vai. É um processo de altos e baixos, ordem e caos”, afirmou.
Outro foco importante, segundo ele, é saber o seu “porquê”. “Só fica vivo quem tem um propósito muito claro. Se nós não tivéssemos, não teríamos sobrevivido”, contou. Conforme o gestor, atualmente, a meta da companhia é “transformar a Comunicação no Brasil” e, para ele, o podcast é uma dessas frentes. “Sabendo o nosso ‘porquê’, o ‘como’ e o ‘o quê’ são variáveis”, justificou.
Pós-cancelamento
Para conseguir honrar as contas, os Estúdios Flows começaram a usar a estrutura própria – produtora e agência -, que inicialmente servia apenas para fins internos, para angariar clientes externos. Um dos cases destacados por Gaigher foi o atendimento a Thiago Nigro, o Primo Rico. “Para criar conteúdo, todo mundo passa por dores, mas, se você quer chegar em algum lugar, você faz acontecer”, salientou.
A equipe de Coletiva.net acompanha em tempo real o Festival Mundial de Publicidade de Gramado, realizado de 7 a 9 de junho na Sociedade Recreio Gramadense. Nesta edição, o apoio é da Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), que enviou dois estudantes para reforçar a cobertura do portal. O público pode conferir matérias e entrevistas exclusivas sobre o evento, repercutidas nas redes sociais – Facebook, Twitter e Instagram -, além de drops em Coletiva.rádio.

