Todas as faces e fases de Iberê Camargo estarão em exibição em Porto Alegre, em uma exposição preparada para comemorar o aniversário de 100 anos de seu nascimento. Fugindo do formato convencional de exposições comemorativas, ordenadas cronologicamente, “Iberê Camargo: Século XXI” pretende demonstrar a potência poética do artista, estabelecendo diálogos, relações e tensões entre suas pinturas, gravuras e desenhos. Para isso, usará uma coleção de linguagens que inclui escultura, instalação, fotografia, literatura, dança, livro, seminário, cinema e projeto educativo.
A abertura para convidados será na terça-feira, 18, às 19h. De 19 de novembro a 29 de março, o público em geral poderá acessar a mostra gratuitamente. Desde o lado de fora do museu ao interior da rampas, passando pelo átrio, todos os espaços do prédio foram pensados como expositivos. A Fundação Iberê Camargo convidou 19 artistas brasileiros de diferentes gerações, que terão suas obras expostas em conjunto, dialogando ao mesmo tempo com as de Iberê.
O grupo de artistas é composto por Angelo Venosa, Arthur Lescher, Carlos Fajardo, Carmela Gross, Cia. De Foto, Daniel Acosta, Edith Derdyk, Eduardo Frota, Eduardo Haesbaert, Fabio Miguez, Francisco Kingler, Gil Vicente, Jarbas Lopes, José Bechara, José Rufino, Karin Lambrecht, Lenir de Miranda, Regina Silveira e Rodrigo Andrade. Ao todo, serão 33 pinturas, seis gravuras e 30 desenhos de Iberê Camargo, que poderão ser vistos ao lado de outras 21 obras dos artistas convidados.
Integrante do Comitê Curatorial, Agnaldo Farias explica que os curadores optaram por “fugir de homenagens nos moldes tradicionais”, pois o artista já havia sido homenageado com uma retrospectiva na inauguração do edifício da Fundação Iberê Camargo, em 2008. O segundo motivo deveu-se à concordância unânime sobre a necessidade de se sublinhar a data apontando ressonâncias diretas e indiretas da obra de Iberê Camargo sobre seus contemporâneos, sobre seus discípulos ou gente que lhe assistiu em sua faina cotidiana. O curador destaca que o centenário é uma oportunidade para mostrar a atualidade da obra de Iberê. “As obras dele são potentes, nos tocam fundo. A mostra permite a atualização do passado através do presente e o presente através da leitura do passado. Não se pode esquecer o seu legado. Iberê é referência”, ressalta.

