Mostrar que a propaganda faz parte da vida de todo mundo é um dos objetivos da Semana ARP da Comunicação e ele vem sendo cumprindo. A fotografia e a manipulação de imagem foram os temas abordados pelo fotógrafo publicitário Celso Chittolina e o manipulador de imagem Márcio Negherbom agora há pouco, quando cerca de 70 pessoas acompanharam o evento que aconteceu no Press Café da rua Hilário Ribeiro. Depois, no espaço destinado às perguntas do público, os dois profissionais abordaram assuntos como artificialidade, vantagens e desvantagens da fotografia digital e analógica.
Além de apresentar campanhas feitas em parceria com Negherbom, Chittolina mostrou o “antes e o depois” de várias peças, deixando clara a influência da engenharia de imagens na publicidade. “Quando a engenharia entra para intervir de uma forma negativa, como, por exemplo, transformar várias fotos ruins em uma boa, tenho minhas ressalvas. O olhar do fotógrafo tem que estar sempre presente e a manipulação não pode servir para resolver problemas”, disse o fotógrafo. Ele também salientou que não gosta de imagens artificiais e quanto mais natural, melhor.
Márcio se encarregou de explicar de uma forma clara e objetiva o que significa a engenharia de imagem que, segundo ele, é a criação através de elementos da fotografia. O profissional usou exemplos e explicou de forma detalhada como é feito todo o processo pelo qual uma campanha passa até ser divulgada em outdoors nas ruas. Cerca de 35 horas são dedicadas para realçar cores, aplicar sombras, corrigir imperfeições, desmontar e montar modelos. “Se a matéria-prima, ou seja, se a foto não for de boa qualidade, o resultado final também não será. Hoje em dia, não adianta querer mentir, todas as imagens publicitárias passam por manipulação”, afirmou.
Chitolina ainda complementou dizendo que “as agências têm um pouco de culpa. Tá na hora de parar de pensar que fotografia é montagem e que engenharia de imagens é fotografia. A falta de verba também é um fator que prejudica, pois ela torna o nosso trabalho banal e as empresas acabam recorrendo à manipulação justamente por não ter dinheiro para contratar um fotógrafo”, disse ele.

