As ações do Ministério da Justiça para combater a violência contra profissionais da imprensa pautaram reunião de dirigentes da Federação Nacional de jornalistas, com a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Maria Filomena De Luca Miki, na última semana. O encontro fez parte de movimento internacional promovido pela Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), para combater a impunidade nos crimes contra profissionais de comunicação.
Na reunião, os dirigentes sindicais Celso Schröder, Valdice Gomes, Suzana Tatagiba e José Carlos Torves cobraram ações efetivas com relação às propostas apresentadas pelo Grupo dos Comunicadores, como a concretização do Observatório da Violência contra Comunicadores e a federalização de crimes contra jornalistas. O Grupo dos Comunicadores foi criado no âmbito do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), para o enfrentamento da violência contra profissionais da comunicação no Brasil.
O presidente da Federação, Celso Schröder, fez referência a duas modalidades de agressões a jornalistas que são recorrentes no Brasil, os “crimes por encomenda” e os “crimes contra manifestações públicas”, e lembrou a solicitação, não atendida, de que o ministro da Justiça fizesse uma manifestação de violência contra manifestações às polícias federais e estaduais. Assessores da secretária registraram que o Ministério da Justiça fez uma cartilha de orientações aos jornalistas. “Mas foi uma cartilha que não serviu aos jornalistas, pois ela dizia como se comportarem para não apanharem da polícia, o que, na prática, significava não fazer jornalismo, e não foi o que pedimos”, criticou Schröder.
Além de um protocolo para que as polícias federal e estaduais não agridam jornalistas, os sindicalistas cobraram a elaboração de um Protocolo de Segurança envolvendo também empresas de comunicação e o Ministério do Trabalho e Emprego. A secretária Regina Miki registrou que as iniciativas do ministério foram tomadas em um período em que eram necessárias ações emergenciais em função da agenda da Copa do Mundo. Apontou também que o período atual é de transição do primeiro para o segundo governo da presidente Dilma Rousseff e se comprometeu em propor a reinstalação da Comissão de Comunicadores, com a função de dar sequência às políticas e ações propostas no relatório final entregue em junho deste ano.

