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Fenaj contabiliza 111 ataques à imprensa em falas de Bolsonaro

Somente em novembro, presidente se pronunciou 12 vezes contra a categoria

O presidente Jair Bolsonaro chega a dezembro completando 111 manifestações contra à imprensa, de acordo com monitoramento da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), no período de 1º de janeiro a 30 de novembro deste ano. Apenas no último mês, foram 12 ocorrências, todas categorizadas como ‘descredibilização da imprensa’. Em 11 meses como chefe de Estado, Bolsonaro expõe posição contra jornalistas a cada três dias, em média.

O mapeamento vem sendo realizado pela Fenaj, que passou a monitorar mês a mês as declarações do presidente com relação à imprensa e ao trabalho jornalístico. A federação leva em conta os discursos e entrevistas oficiais, que constam no site do Planalto, além dos textos postados no twitter de Jair Bolsonaro. Nesse monitoramento, não são levados em consideração os conteúdos de pronunciamentos em vídeo, como lives transmitidas pelo presidente. A entidade disponibilizou uma linha do tempo e uma planilha com detalhes e caminhos para os materiais contabilizados.

De janeiro a novembro, Bolsonaro soma de 100 ataques classificados como ‘descredibilização da imprensa’, e 11 declarações categorizadas como ‘ataque a jornalista’. Por diversas vezes, o chefe de Estado refere-se à imprensa como adversária, situações como no dia 23 do mês passado, quando afirmou em discurso que “se a imprensa bateu, é sinal que o discurso foi bom” e no dia 27, em Manaus, quando ele falou sobre a campanha eleitoral de 2018, dizendo que grande parte da mídia o fustigou com “mentiras, com calúnias ou com fake news”.

Conforme Paula Zarth Padilha, diretora da Fenaj, os ataques ao trabalho jornalístico são também ataques à democracia. “Uma imprensa que fiscalize o poder público, que abra espaço para crítica e para o contraditório é essencial para uma sociedade mais justa, que tenha garantido seu direito à informação”, disse. Segundo ela, um chefe de Estado deveria fortalecer esses valores, mas o presidente faz justamente o contrário. “Além das declarações contra o trabalho da imprensa, os jornalistas sofreram outro duro ataque neste mês de novembro: a edição da Medida Provisória nº 905, uma verdadeira minirreforma trabalhista, que acaba com o registro profissional dos jornalistas e de outras categorias, como radialistas e publicitários, além de precarizar direitos da classe trabalhadora em geral”, menciona.

Nas últimas semanas, a Fenaj participou da coordenação de assembleias dos sindicatos em todo o Brasil, para tirar mobilizações dos jornalistas junto à sociedade civil, articulação com sindicatos de outras categorias e sensibilização de congressistas para derrubar a MP. “São claros ataques contra os jornalistas por parte deste governo, que quer tirar ainda mais direitos dos trabalhadores, mesmo depois da aprovação da Contrarreforma Trabalhista de Temer, e da Reforma da Previdência de Bolsonaro e Paulo Guedes. Por isso, é fundamental a unidade e articulação com as demais entidades da classe trabalhadora para derrubar propostas como essa MP, que não visa gerar empregos, e sim aumentar os lucros dos patrões, em cima do nosso trabalho”, aponta Maria José Braga, presidenta da Fenaj.

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