A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) reafirma a Campanha Salarial Nacional Unificada dos Jornalistas. Lançada oficialmente em janeiro deste ano, a iniciativa ressalta que fortalecer o Jornalismo passa, necessariamente, pela valorização de quem produz a informação. Com o mote ‘A notícia vale. Quem produz, também’, a campanha critica a precarização da categoria e a falta de contrapartidas das empresas do setor beneficiadas por incentivos públicos.
Segundo a Fenaj, empresas de Comunicação alegam dificuldades financeiras para justificar reajustes insuficientes, resistem a conceder ganho real e pressionam pela redução de direitos. Ainda de acordo com a entidade, o discurso, porém, contrasta com o histórico de incentivos fiscais concedidos ao setor, criados com a justificativa de preservar empregos e estimular investimentos.
Conforme o levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), elaborado para a Fenaj, somente entre janeiro e agosto de 2024, as empresas de Comunicação receberam R$ 462,1 milhões em desoneração da folha de pagamento. Durante anos, o benefício permitia que as empresas deixassem de recolher a contribuição patronal de 20% sobre a folha e passassem a contribuir com uma alíquota menor sobre a receita bruta.
Além disso, dados do Dieese, com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), mostram que o número de empregos formais em funções do Jornalismo no segmento de jornais e revistas caiu de 9.870, em 2015, para 4.709, em 2025. Em apenas uma década, foram eliminados 5.161 postos de trabalho, uma redução de 52,3%.
Para a presidenta da Fenaj, Samira de Castro, os incentivos chegaram às empresas, mas não chegaram aos jornalistas. “A desoneração da folha foi apresentada como uma política para preservar empregos e fortalecer o setor. O que vimos, porém, foi exatamente o contrário: as redações encolheram, milhares de postos de trabalho desapareceram e os jornalistas passaram a enfrentar condições cada vez mais precárias”, avalia.
Mais trabalho, menos valorização salarial
Segundo a Fenaj, a valorização salarial dos profissionais que permaneceram nas redações também continuou distante da realidade. Enquanto as empresas insistem em alegar dificuldades financeiras para negar ganho real, os jornalistas convivem com equipes reduzidas, acúmulo de funções e crescente desvalorização profissional.
Para a secretária de Mobilização e Negociação Salarial da Fenaj, Fernanda Gama, nas mesas de negociação, a resistência patronal ao ganho real continua sendo um dos principais entraves enfrentados pela categoria. “Os números mostram que o discurso de crise utilizado pelas empresas não pode mais servir de justificativa para negar ganho real aos jornalistas. Se o setor foi beneficiado por políticas públicas durante anos, é legítimo que os trabalhadores reivindiquem valorização salarial, melhores condições de trabalho e negociações coletivas fortes para recuperar o poder de compra da categoria”, afirma.
A dirigente defende ainda que esses incentivos públicos estejam acompanhados de contrapartidas que garantam a preservação dos empregos, a valorização salarial e condições dignas de trabalho. “Benefícios financiados pela sociedade não podem servir apenas para reduzir os custos das empresas, enquanto jornalistas enfrentam demissões, sobrecarga, salários defasados e perda de direitos”, ressalta Fernanda.

