Apesar da redução em números gerais de agressões, 2014 foi um ano violento para os jornalistas. O Relatório de Violência e Liberdade de Imprensa 2014 da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), divulgado nesta quinta-feira, 22, registra a ocorrência de 129 casos de violência contra profissionais de imprensa, sendo três mortes. Em 2013, a entidade contabilizou 181 episódios de violência.
Agressões a jornalistas durante protestos foram a principal violação ao trabalho da imprensa no último ano. Segundo a federação, foram 79 agressões durante manifestações. Em entrevista à Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a vice-presidente da federação, Maria José Braga, diz que a cifra “acabou invertendo uma tradição de agressões contra jornalistas feitas, principalmente, por políticos. As tendências históricas foram revertidas a partir de 2013”.
Em 2014, políticos estiveram envolvidos em 16 casos de agressão, enquanto policiais ou guarda civis atacaram jornalistas em manifestações pelo menos 63 vezes, e manifestantes, 16. Em relação a assassinatos, os números aumentaram de dois, em 2013, para três, em 2014: foram mortos o cinegrafista da Band Santiago Andrade, o proprietário do jornal Panorama Regional, Pedro Palma, e o radialista Geolino Lopes Xavier, esse último em circunstâncias ainda incertas.
Apesar de a maioria das agressões terem se concentrado no primeiro semestre de 2014, durante os seis últimos meses do ano também houve casos de violação e censura, alguns mesmo ligados ao período eleitoral. A Fenaj aponta a incompreensão com o papel do jornalista e a intolerância com a diversidade de coberturas como possíveis respostas para o alto número de agressões. “A função do jornalista é de relatar e trabalhar em cima das diversas opiniões da sociedade, mas as pessoas acabam sendo intolerantes com ideias que divergem das suas”, conclui Maria José Braga.
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