O ano de 2011 se encerra repleto de incertezas políticas e econômicas e o cenário para 2012 será pessimista ou otimista em função da solução que se encontrar para a crise européia e a definição que vier a ser dado ao futuro do Euro. É assim que a Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul) identifica o momento atual, a partir da apresentação que foi feita esta manhã para a imprensa pelo presidente Heitor Müller e sua assessoria econômica.
Na leitura da Fiergs, o cenário internacional mostra que a dificuldade em implementar uma solução para a crise fiscal nos países altamente endividados contribuiu para contaminar o sentimento dos investidores e consumidores. “A crise saiu do ambiente fiscal e invadiu o lado financeiro, potencializando o risco sistêmico nas instituições financeiras, em especial na Europa. A desaceleração econômica nos países desenvolvidos passou a contar, também, com contribuição menor dos emergentes”, diz o estudo da assessoria técnica da Federação..
No cenário moderado, em que residem as maiores apostas, acredita-se que essa solução seja no sentido de manter a união monetária na Europa, fortalecendo a mesma com regramentos no campo fiscal, melhor definição da participação do Banco Central Europeu e a eliminação das incertezas sobre o cumprimento das obrigações de dívida. A expectativa é que os resultados mais negativos estejam concentrados no primeiro semestre e, a partir de então, a economia internacional entraria em uma trajetória mais positiva.
No Brasil, a esperada desaceleração do PIB deve perdurar durante os primeiros meses de 2012, em um cenário de inflação rodando perto da banda superior, juros em queda e um mercado de trabalho com números mais tímidos. Porém, o suficiente para manter a taxa de desemprego em patamares baixos. A Fiergs entende que, apesar do esgotamento do modelo macroeconômico de consumo, a demanda interna, ainda puxada pelo consumo das famílias, deve ditar os rumos da economia. Com a perspectiva de continuidade na entrada de investimentos estrangeiros, a pressão para valorização do câmbio deve permanecer e, mais uma vez, “podemos assistir a uma dinâmica superior na importação relativamente ao desempenho da produção nacional e também das exportações”.
No caso do Rio Grande do Sul, “após um ano excepcional para o setor agrícola”, as primeiras projeções sinalizam uma menor safra, o que pode resultar em queda da renda em várias cidades no interior. Por conta dos problemas econômicos que diversos parceiros comerciais do Rio Grande do Sul enfrentam, bem como, com a taxa de câmbio valorizada, “é natural esperar que as exportações tenham desempenho menor que o verificado em 2011. Por seu turno, a expectativa é que a arrecadação de impostos siga sua trajetória de crescimento real, mas, que não será suficiente para manter o equilíbrio orçamentário”.


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