Acabou oficialmente o relacionamento de Carlos Henrique Schroder com a Globo. E não foi um namoro qualquer, mas um casamento de 37 anos, que deu como frutos diversas coberturas relevantes. Mas foi um término bonito, daqueles que todo mundo quer: o gaúcho, de Santo Ângelo, recebeu uma bonita carta da família Marinho destacando sua trajetória.
Desde 2017, a permanência do diretor era negociada junto à emissora. Na época, ele acordou que ficaria por mais quatro anos. Porém, não deixou a Globo no ano passado, que seria a data-limite, e estendeu sua permanência até 2021 – então com o cargo de diretor de Produção e Criação de Conteúdo da Globo.
Em sua passagem na casa, após atuar na TVE RS e na RBS TV, Schroder passou por diversos postos de gestão. Foi diretor de Produção do Jornalismo, diretor de Planejamento, diretor Editorial e diretor da Central Globo de Jornalismo, até chegar, em 2013, a diretor-geral da TV Globo.
Na carta de agradecimento, os executivos da emissora salientam que o jornalista participou da criação tanto da GloboNews como do G1 e da GloboPlay. Além disso, pontuam as tantas coberturas de eventos econômicos, esportivos, políticos e sociais e sua importância para a qualidade da programação que a emissora oferta.
O documento é assinado por João Roberto Marinho, José Roberto Marinho e Roberto Irineu Marinho. Eles encerram o texto afirmando que Schroder ajudou a escrever a história da emissora: “A história da Globo tem um sem-número de protagonistas, todos extremamente valiosos. E tem alguns autores. Schroder é um deles”.
Confira o teor da carta na íntegra:
“Quem conhece Carlos Henrique Schroder sabe que ele é de poucas palavras; prefere fazer. É daqueles profissionais que brilham ao fazerem brilhar. Sua obra não está em entrevistas, em aparições públicas, mas em resultados. É a sua marca registrada.
E assim construiu uma das trajetórias de maior sucesso na TV brasileira.
Quando entrou na Globo, aos 25 anos, em 1984, vindo do Rio Grande do Sul, era um profissional promissor por tudo o que tinha feito na TV Educativa e na RBS. Aqui, foi sendo promovido pelo trabalho inovador que lhe é peculiar. Em 1990, passou a ser diretor de produção do Jornalismo, depois diretor de planejamento, diretor editorial até se tornar diretor da Central Globo de Jornalismo, que, em 2009, com mais atribuições, recebeu o nome de Diretoria Geral de Jornalismo e Esporte, onde permaneceu até 2013. Nessas funções, não houve um acontecimento importante no Brasil e no mundo que Schroder não tenha coberto. Todas as eleições presidenciais no país depois da volta da democracia, todas as muitas crises políticas, todos os planos econômicos, guerras, revoluções, eleições em países estrangeiros, desastres naturais, descobertas científicas, avanços na saúde, na educação, a revolução digital. E mais todas as Copas do Mundo desde 1986, todas as Olimpíadas, os principais campeonatos esportivos no Brasil e no mundo. Tudo isso, de um jeito ou de outro, passou pelo olhar de Schroder, seja coordenando, planejando ou dirigindo. Schroder ajudou também a construir do zero a GloboNews e liderou a criação do G1, essas duas potências do jornalismo brasileiro de hoje. É uma bagagem que poucos podem ostentar.
Por tudo isso, em 2013, sua escolha para diretor-geral da TV Globo foi consenso entre nós. Mais do que um jornalista, Schroder já tinha se provado um homem de televisão. Era o profissional ideal para preparar a TV Globo para as transformações que hoje estamos vivendo. Foi graças à sua liderança que nossas novelas passaram a ter um ritmo mais contemporâneo, nossas séries ganharam qualidade internacional, nosso humor foi atualizado em forma e conteúdo e nossos realities, tanto tempo depois das primeiras edições, puderam manter um vigor que mobiliza o país. Foi na gestão dele, como diretor-geral, que o Globoplay deu seus primeiros passos, num movimento estratégico que nos torna hoje muito bem posicionados. Schroder soube perceber que o conceito de televisão se ampliara para telas e plataformas variadas. E que era fundamental preparar a TV Globo para essa realidade.
Em 2017, Schroder nos procurou anunciando que gostaria de planejar o fecho de seu ciclo na Globo. Aprendemos nesses 36 anos que ele não diz algo sem que tenha refletido muito. Na conversa, como sempre muito produtiva, pudemos estabelecer um plano para que ficasse até o fim de 2020, prazo que foi prorrogado até hoje. No período, ele se comprometeu a colaborar para que a transformação da TV Globo, dentro do projeto UMASÓGLOBO, fosse suave e vencedora. E foi. Ao assumir em 2020 o cargo de diretor de Produção e Criação de Conteúdo da Globo, Schroder concluiu o desenho que tornou possível que o Entretenimento, o Jornalismo e o Esporte continuassem sendo a nossa fortaleza.
Para nós, não é fácil escrever uma carta de despedida como esta para alguém tão intimamente ligado à nossa história como Schroder. É por causa de profissionais como ele que a Globo é o que é hoje, e somos gratos por isso. É exatamente esse sentimento de gratidão que torna mais fácil entender o seu desejo de buscar a realização de outros sonhos.
A história da Globo tem um sem-número de protagonistas, todos extremamente valiosos. E tem alguns autores. Schroder é um deles.
A ele, o nosso muito obrigado.
Roberto Irineu Marinho
João Roberto Marinho
José Roberto Marinho”

