Quatro anos de estudo e um de operação. Este é o tempo da RDC TV, que completou 12 meses no ar nesta terça-feira, 2. Sobre este primeiro momento, o diretor-geral da TV, Márcio Irion, elencou, em conversa com a equipe de Coletiva.net, os pontos altos e baixos da operação e declarou: “Fizemos o que nos propusemos, que é levar o Rio Grande do Sul para o Brasil e o mundo”. Cinco estúdios estão dispostos em um espaço de 1,2 mil metros quadrados, na sede que fica na Rua Paraíba, no bairro Floresta, e a programação pode ser acompanhada nos canais 24 e 524 da NET.
O fato de considerar um modelo inovador e muito voltado ao digital faz Márcio denominar o negócio como uma startup de comunicação, e, por isso, acredita que a empresa pode testar formatos diferentes até achar o ideal. “Ousamos muito no início, com uma programação com 12h ao vivo. Aí, fomos percebendo o engajamento do público, vendo o que as pessoas gostavam e o que não agradava. Algumas atrações se consolidaram, outras não, e, assim, fomos corrigindo”, explicou.
Segundo ele, o desafio foi encontrar uma linguagem conectada com a atualidade em uma estrutura com grade ortodoxa, porém, o mais complicado, conforme citou, foi o que chamou de “modelo Brasil de ser”. “Sofremos muito, pois, aqui, tudo é feito para não dar certo”, lamentou. Ao longo do último ano foram três fiscalizações do Ministério do Trabalho e algumas denúncias de ex-funcionários sobre condições de trabalho. “O modelo atual é corrosivo, tem 30 anos, não cabe mais. Queremos dar oportunidade”, falou, referindo-se à empregabilidade.
Frustrado, Márcio lastimou a desconfiança do mercado, de agências e anunciantes, os quais, de acordo com ele, “não perceberam o nosso projeto inovador que deveria ser valorizado”. “É um critica que faço, porque é inadmissível que não se valorize iniciativas daqui. Nosso bairrismo é da boca pra fora”, sentenciou. Inclusive, informou que o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr., ainda não visitou a sede da RDC TV. “Ele nunca veio usar a infraestrutura para prestar contas à comunidade”, reclamou, reforçando que, em um ano, essa mentalidade das marcas não mudou.
Mesmo assim, ele disse que virou a chave de um ano. “Estamos abertos para que anunciantes nos vejam como oportunidade, pois estamos à frente do nosso tempo”, avisou e acrescentou: “O mercado deveria estar atento às oportunidades de inovação e nós somos uma delas”. Sobre o futuro, o gestor afirmou que está com “sangue no olho” para buscar espaço, indo atrás de alternativas de monetizar fora do mercado da comunicação. E alertou que, se não tiver adesão e conexão com os gaúchos, não descarta a ideia de sair do Estado. “Será mais uma oportunidade que vamos perder.”
Com cerca de 30 funcionários – a empresa chegou a contar com 100 colaboradores –, os projetos ainda são vários. A começar pela cobertura do Festival de Cinema de Gramado, que ocorre de 16 a 24 de agosto. Depois, a ideia é criar uma sucursal na Serra Gaúcha. Outra novidade é a estreia do RDC Esporte, que entra no ar em 8 de julho, com apresentação de Paulo Brito.
O que motiva, conforme lembrou, são as centenas de histórias que têm para contar por meio do Jornalismo. “Eu sei que temos vidas para impactar, pessoas para as quais podemos contribuir e ajudar”, comentou. Ele ainda adiantou que fará movimentações na grade, passando o programa esportivo para o horário do meio-dia e o jornalismo será todo à noite. “A ideia não é competir com as outras emissoras, é complementar”, finalizou.

