O jornalismo é uma atividade sacrossanta, mas não é tida como tal pelos próprios jornalistas. A afirmação é do jornalista Flávio Tavares, ao ser entrevistado no programa Frente a Frente, que a TVE apresentará em janeiro. Flávio se diz inconformado com o momento atual do jornalismo brasileiro, e em especial da televisão, “que é responsável pelo aumento da violência no País, ao dar um excessivo destaque a este aspecto em seus noticiários”. Em certo momento, Flávio faz um apelo aos profissionais, às empresas de comunicação e às entidades do setor: “Pensem melhor na importância de sua atividade para a sociedade brasileira e se autodisciplinem”.
Boa parte do programa foi dedicada ao período da ditadura vivido pelo Brasil entre 1964 e 1980 e à Comissão da Verdade, instituída recentemente pelo governo federal. Flávio fez questão de ressaltar que o papel desta comissão é “esclarecer a verdade e impedir que se institucionalize a mentira”. Em certo momento, revelou que ainda em janeiro deve ser publicado, pela L&PM, seu mais recente livre, cujo título é 1961 – O golpe derrotado. Nele, o jornalista se dedica a detalhar os 13 dias de agosto de 1961 que abalaram o Brasil. No livro, segundo ele, “aparece o lado oculto do que viria a ser a derrota da democracia em 1964”.
Flávio Tavares é natural de Lajeado. Presidiu, aos 20 anos, a União Nacional dos Estudantes, e participou da Luta Armada como membro do Movimento Nacionalista Revolucionário. Esteve preso várias vezes no Brasil e integrou o grupo libertado em troca do ex-embaixador norte-americano, Charles Elbrick, sequestrado pelos movimentos revolucionários, em 1968. Exilado na Argentina, Flávio era correspondente de jornais brasileiros. Em 1977, numa viagem a Montevidéu, foi sequestrado pelo exército uruguaio e ficou preso por seis meses no país vizinho. Ele diz que “na hora da tortura nós só nos lembramos em não morrer, então usamos todos os meios possíveis para resistir, para não nos entregarmos”.

