Os grandes jornais brasileiros estão com suas tiragens estagnadas, enquanto surgem diários populares com grande circulação em todas as principais cidades. Esta pode ser uma das conseqüências do crescimento da classe C no país, segundo observação do jornalista Franklin Martins, comentarista político da Rede Bandeirantes, que esteve hoje em Porto Alegre. Falou sobre o tema “Cenário Político Brasileiro e suas Perspectivas”, a convite do Grupo Band RS, que realizou no Sheraton Hotel nova edição do Fórum Bandeirantes de Idéias.
Ao avaliar a eleição presidencial, Franklin chamou a atenção para o fato de que a classe média não é mais a grande formadora de opinião no país. Enquanto esta condenava os escândalos do governo federal, as classes C e D, satisfeitas com as conquistas econômicas e benefícios como o BOLSA-FAMÍLIA, tiveram uma influência muito forte no apoio ao governo Lula e no resultado final da eleição. “Tem algo diferente acontecendo no país, e a eleição de Lula mostrou isto”, disse ele.
Franklin entende que a mídia exerceu um papel “extremamente importante” na divulgação das denúncias de corrupção que, entre outros resultados, levaram à revelação do mensalão no Congresso. Mas acabou enredando-se com tantas denúncias que foram levantadas pelas CPIs, cujas atividades “foram acompanhadas de forma caótica” pelos jornalistas. O comentarista da Band disse concordar com o fato de que os grandes jornais tiveram em princípio uma postura pró-Alckmin durante a eleição, mas esquivou-se de particularizar críticas, com exceção para a Veja. Segundo ele, a revista sofreu de alucinações, a ponto de cometer três grandes barrigas: os recursos das FARc, os dólares de Cuba na campanha de Lula e as denúncias contra Daniel Dantas, em relação ao qual a própria revista admitiu não ter certezas sobre o que publicava. “Mas a mídia acabará acertando porque o cidadão saberá cobrar – não lendo jornal, não vendo televisão ou não ouvindo rádio”, finalizou Franklin.

