Com a criação da TV Brasil, o governo federal se propõe a liderar a construção de uma rede pública de televisão no Brasil, a partir dos órgãos que já controla – Radiobras e TVE do Rio de Janeiro e do Maranhão – e agregando as TVEs regionais para formar “uma grade nacional”. Esta foi a disposição manifestada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, ao participar esta manhã em Porto Alegre do debate “TV Pública Brasileira – modelo e desafios”. “Estou seguro de que a TV Brasil fará um jornalismo de qualidade”, afirmou ele, ao contestar as críticas de que está se criando “a TV do Lula”.
“Concordo com a preocupação de que há o risco de manipulação por parte do controlador, assim como viver é perigoso. Mas o nosso projeto de TV pública prevê a criação de um Conselho Curador para afastar este risco, e para assegurar que tudo seja tratado de forma transparente”, disse o ministro. Ele questionou o conceito de isenção afirmando que ela é como a felicidade, “que a gente busca, busca, mas nunca alcança”.
Franklin Martins disse que o governo traçou três tipos de modelos de relacionamento com as atuais TVEs, na tentativa de fazer com que esta TV Brasil não fique focada apenas no eixo Rio-São Paulo, mas “assegure todos os sotaques do Brasil”. Pelo primeiro modelo, TVEs bem estruturadas seguem o modelo público de gestão e se integram totalmente à grade nacional, hipótese em que ele enquadra a emissora do Rio Grande do Sul. No segundo, que chama de “parceiro associado”, em que não há gestão pública, mas disposição para colaborar, a emissora regional seguiria faixas temáticas em que haverá programação comum. E o terceiro caso é considerado perdido, aquele em que a TVE é dominada pelo governo estadual e só a ele se subordina. Não citou exemplos, mas afirmou que há mais de um destes casos no Brasil.
O evento foi apresentado como “audiência pública” e realizado no Teatro Dante Barone, da Assembléia Legislativa. Na direção dos trabalhos estava a deputado AStela Farias, presidente da Comissão de Serviços Públicos do Legislativo gaúcho. Na mesa, a seu lado, estava o secretário de Comunicação Social, Paulo Fona. Cerca de 200 pessoas acompanharam a sessão, que começou com exata uma hora de atraso, às 10h30, e durou quase três horas.


