A política de comunicação do governo do Estado mudou, com a criação de um comitê profissional. Agora, há um padrão de publicidade e um padrão de comunicação, com pessoas capacitadas para responder às questões apresentadas pelos jornalistas. Estão estabelecidos indicadores para a publicidade, e hoje o governo paga por 280 inserções na mídia o mesmo valor que pagava por 21. “E vou escrever um livro que falará sobre os degolados da guerra de 2008, o ano que finalmente terminou.” Estas foram algumas das afirmações e revelações da governadora Yeda Crusius, durante o encontro de quase duas horas que manteve esta manhã com integrantes do Clube de Editores e Jornalistas de Opinião.
Duas dezenas de jornalistas participaram da reunião, realizada em uma sala do Sheraton Hotel. Ao lado do coordenador de Jornalismo do Piratini, Joabel Pereira, a governadora se mostrou receptiva e foi direta e clara nas respostas aos questionamentos, iniciados pelo presidente da entidade, Gilberto Simões. Política, economia e comunicação social foram os assuntos dominantes. Yeda afirmou mais de uma vez que, depois de passadas as turbulências dos dois primeiros anos de seu mandato, 2009 será o ano marcante, “com ações que emocionam, como a inauguração da barragem de Jaguari”. “Agora o governo anda como ele é, passados os dois primeiros anos de muito trabalho. E com isto posso fazer a parte política, com mais encargos que o normal, porque não posso contar com um vice”, disse, na referência aos desentendimentos com o vice-governador Paulo Feijó.
A seguir, leia algumas das principais declarações da governadora.
RUÍDOS DE COMUNICAÇÃO
A comunicação enfrentou problemas no início do nosso governo porque a relação da governadora com o vice foi dominante na mídia, impedindo que a gente comunicasse as realizações do governo. Por isto ficou a imagem de que eu só brigava com o vice. O primeiro semestre daquele ano terminou com um saldo de que tudo era conflito, até que houve o IPO (lançamento ações na Bolsa de Valores) do Banrisul.
GUERRA
No início do governo eu não podia delegar a comunicação para ninguém. Meu entendimento era de que durante uma revolução, no caso, a CPI, a gente não comunica, conta os mortos.
RELAÇÕES COM A IMPRENSA
Não há má vontade para com a imprensa. Nada, além do fato de eu ser mulher e o meu partido não ter entranhado no Estado. A imprensa tem autonomia e liberdade para ser assim. Entendo: se a pauta do dia é corrupção, será corrupção. Mas entendo que a imprensa nacional, de um modo geral, perdeu a capacidade de pesquisar e confirmar, e se passa adiante a pauta que se recebe, sem verificação. Há uma perda de qualidade geral da imprensa brasileira, que não consegue confirmar antes de publicar. Não dá tempo.
COMITÊ DE COMUNICAÇÃO
O Conselho de Comunicação (que era dirigido por seu marido, Carlos Crusius) foi extinto porque não funcionou. Fez apenas uma reunião, eles não conversavam entre si. Faziam uma pesquisa e não me apresentavam. Agora temos um Comitê de Comunicação profissional. Temos um padrão de publicidade e um padrão de comunicação, com pessoas capacitadas para responder hoje às questões apresentadas por vocês. Agora atuamos com indicadores na publicidade, pois o Comitê é profissional. Pagamos por 280 inserções na mídia o mesmo valor que pagávamos por 21 inserções, antes.
AS AUTORIZAÇÕES DE ANÚNCIOS
Centenas de SACs (autorizações de pagamento de publicidade ou patrocínio) foram assinadas em abril, umas 500. Olhei uma por uma, e houve casos em que pedi para dar uma seguradinha, para analisar melhor. A liberação disto agora está a cargo da Lilian.
NOVA FORMA DE COMUNICAR
A publicidade será feita de duas maneiras: através de campanhas, mostrando o que fazemos e como fazemos, e através de patrocínios. Acredito na publicidade, tanto que quando conseguimos fazer uma campanha, durante uns 40 dias, nosso índice de positivo nas pesquisas subiu 10 pontos.
OS SECRETÁRIOS E A IMPRENSA
Agora, todos os secretários são comunicadores. Temos uma grade de ocupação dos espaços, organizando a participação do secretariado na mídia. E todos estão preparados, recebendo com antecedência as informações sobre uma obra ou região que forem visitar.
OPERAÇÃO RODIN
O ano de 2007 estava indo muito bem quando caiu no meu colo a Operação Rodin. Há um momento em que a informação não consegue superar a versão que está na rua. Foi o que aconteceu, e então prevaleceu o que pareceu ser um ano de escândalos. Felizmente, o negócio da casa (a aquisição de sua casa própria, cercada, na época, de informações controversas sobre a origem do recurso) se resolveu e tudo ficou esclarecido.
CRESCIMENTO EM 2009
O Estado deverá crescer em torno de 2,5%, se o mundo lá fora não afundar em relação aos setores econômicos que são importantes para o Rio Grande do Sul. O número não é final, mas certamente cresceremos mais que a média nacional.
RELAÇÕES COM O VICE-GOVERNADOR
A relação com Feijó não é inconciliável, mas quando um não quer, dois não fazem. Desde a campanha ele sempre discordava de tudo. Os espaços que lhe foram ofertados, ele recusava. Não há diálogo com ele, que escolheu o caminho da oposição.
REELEIÇÃO
Que bom que as pesquisas feitas agora me colocam em terceiro lugar. Em 2006, eu também estava em terceiro lugar no dia da eleição… Mas quero ver outra pesquisa, a pesquisa de contato, aquela que mostra como é a receptividade das pessoas quando estão próximas da governadora. Tem muito tempo pela frente, até 2010.
MEMÓRIAS DO GOVERNO
Vou escrever um livro, que será lançado na Feira do Livro. Nele vou mostrar que os dois primeiros anos representaram um período de transição. Vou falar sobre os degolados da guerra de 2008, o ano que finalmente terminou. Vou falar sobre o pavor, o pânico, as apreensões sobre “qual é a próxima do vice, que gravação ele tem?”. O importante naquele ano não foi o que não fizemos, mas o ineditismo das armas que os adversários, os inimigos usaram. Vou falar sobre o trauma que uma fita de gravação deixou marcado nas pessoas. Até por isto, pessoas, como o próprio ministro Paulo Brossard, se recusaram a falar para um gravador. Então, não tenho registros do que foi dito, será tudo escrito com base na memória.
NOVOS TEMPOS COM A IMPRENSA
Eu não mudei, evoluí. Apanhei tanto que aprendi. Até o orgulho que tinha, deixei de lado. Não se sintam (os jornalistas) isolados da governadora. Vou exercer a liturgia do cargo, e se precisarem de alguma coisa, a qualquer tempo, acionem o Joabel, ou o Jairo Raimundo, na ausência do Joabel, já que ele vai parar por uns 18 dias.


