São profundas as mudanças que o governo do Estado pretende implantar na Fundação Cultural Piratini, segundo noticia hoje o Correio do Povo. As alterações na emissora de televisão oficial do Estado, inaugurada em 1974, passam pela votação do projeto de lei que cria a Secretaria-Geral de Governo e, a partir desta quarta-feira, 9, a proposta começa a trancar a pauta da Assembléia Legislativa do Estado. O objetivo é que a Fundação TVE deixará de ser coordenada pela Secretaria de Cultura, passando a ser vinculada à nova pasta. Desta forma, o governo do Estado poderia realizar alterações pretendidas, “evitando os embates internos, já que na Secretaria de Cultura as mudanças são vistas como restrições”, segundo o CP.
O levantamento está sendo elaborado por um grupo de trabalho que foi instituído por decreto da governadora Yeda Crusius. De acordo com o documento, o trabalho da comissão deveria durar 45 dias, prazo que se encerrará na semana que vem. No entanto, o grupo ainda não foi formado na sua integralidade e o governo do Estado evita falar em nomes. A única informação é que o grupo seria composto por sete representantes do gabinete da Governadora, da Secretaria Extraordinária da Comunicação Social, da Secretaria da Cultura, da Casa Civil, da Procuradoria-Geral do Estado e da Secretaria do Planejamento e Gestão.
A mudança da vinculação preocupa os funcionários da TVE e da FM Cultura, que temem uma interferência maior por parte do executivo com a ligação à Secretaria Geral de Governo. “Queremos a permanência na Secretaria Estadual da Cultura”, defende o representante dos Funcionários da Fundação Piratini, Alexandre Leboutte. Segundo informa hoje o Jornal do Comércio, a categoria também questiona a ausência da TVE nas discussões que envolvem a TV Brasil, uma iniciativa do governo federal que pretende formar uma rede nacional com o auxílio das emissoras públicas estaduais. O fato é confirmado pelo diretor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), José Roberto Garcez. “Praticamente todas as emissoras educativas de canal aberto estão participando da estruturação da rede. A única que ainda não se integrou às discussões é a do Rio Grande do Sul. E é de grande importância que o Estado estabeleça esta parceria”, afirmou Garcez ao JC. Ele é gaúcho, e presidiu a TVE no governo Olívio Dutra (1999-2002).
O presidente interino da Fundação Cultural Piratini, Airton Nedel, disse ao JC que o problema reside na falta de recursos para comparecer às reuniões em Brasília. Garantiu que há interesse na parceria, mas que este será um passo posterior ao processo de reorganização da autarquia. Conforme o representante da Fundação, a TVE e a Rádio FM Cultura passam por uma situação crítica. “Nós temos um custo anual de R$ 16 milhões. Deste montante, R$ 12 milhões são destinados a gastos com pessoal e o restante, ao custeio. Temos apenas R$ 150 mil ao ano para investir”, detalha.

