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Governo faz parceria com grupo de comunicação espanhol

Intercâmbio com editores do El País prevê realização de produções de TV

O governo do Estado assinou memorando de entendimento com o grupo espanhol de comunicação Prisa, editor do jornal El País, para um intercâmbio de caráter cultural e tecnológico nas áreas de Jornalismo, Comunicação e Radiodifusão entre o grupo Prisa e os veículos de comunicação públicos do Rio Grande do Sul. O governador Tarso Genro, a secretária de Comunicação Social e Inclusão Digital, Vera Spolidoro, e o presidente da Fundação Cultural Piratini, Pedro Osório, assinaram o protocolo de intenções para a troca de conteúdos de programação, coproduções de séries de televisão, reportagens temáticas e conhecimentos técnicos.

O intercâmbio inclui a visitação mútua de profissionais para troca de informações no campo das inovações tecnológicas e sobre o uso de mídias interativas. “A relação com a Europa nas questões culturais, políticas e econômicas é muito importante para o Rio Grande do Sul”, disse o governador Tarso. Ele destacou ainda que, para as empresas da península ibérica – “sejam elas de comunicação ou de qualquer outra atividade” -, o Estado pode se tornar “uma espécie de plataforma para o relacionamento com toda a América Latina”.

O encontro foi realizado no domingo, antes de reunião-almoço que ocorreu no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, para a qual foram convidados representantes da imprensa gaúcha, blogueiros, professores universitários, lideranças sindicais da área da Comunicação, secretários de Estado e líderes partidários.

O presidente da comissão executiva do grupo Prisa de Comunicação e presidente do jornal El País,o jornalista e escritor Juan Luis Cebrián, dissertou sobre as novidades que o profissional de Jornalismo enfrenta, com o advento das mídias digitais e redes sociais. “Com a chegada da internet, estamos experimentando uma evolução paralela que ainda não sabemos como controlar”, disse Cebrián. Para o jornalista espanhol, a rede mundial de computadores e as tecnologias digitais acabaram com o protagonismo do jornalista enquanto intermediário entre o fato e o público. Modificam-se, assim, a profissão do jornalista como ela é conhecida, o papel da mídia e os sistemas de comunicação: “As pessoas fotografam os acontecimentos com o celular e publicam na rede. São pessoas narrando os fatos umas para as outras diretamente, sem intermediação do jornalista”.

A participação da população nas redes sociais, segundo o jornalista espanhol, é surpreendente mesmo para quem estuda e vive da Comunicação: “Nenhum de nós imaginou que o Twitter, o Facebook e o Flickr se converteriam em poderosos meios de comunicação. É fato que a internet é um sistema de empoderamento das pessoas”. Os jornalistas enfrentarão a nada fácil mudança de paradigma, conhecendo uma realidade profissional que não está nos livros nem se aprende nas faculdades. Desse modo, diz Cebrián, é influenciada também a forma de se fazer democracia e o sistema político em geral. O conceito e os “esquemas da democracia representativa estão sacudidos pela internet”.

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