
Com o objetivo de trazer o olhar do ser humano sobre o futuro da tecnologia, a cientista social e política, fundadora do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) e colunista de Coletiva.net, Elis Radmann, subiu ao palco Banrisul do GovTech Summit nesta sexta-feira, 16. Na explanação, ela apresentou dados da visão dos gaúchos a respeito dessas mudanças e argumentou: “Inovação é a novidade que funciona”.
Ela traçou uma linha do tempo da experiência tecnológica da sociedade, que se iniciou em 2007, com os smartphones, mas tomou maiores proporções apenas em 2012. “Estamos falando de uma década de uso efetivo da internet”, salientou. Elis também trouxe insights a respeito do uso do Google, que atualmente atinge 85% da população. “As pessoas estão no navegador, mas isso não significa que elas tenham domínio, muito pelo contrário, o Google tem ajudado no ‘emburrecimento’ da população”, afirmou, ao comentar que, muitas vezes, os entrevistados pelo IPO recorrem ao aplicativo no meio das pesquisas para conseguir elaborar uma opinião.
Processos híbridos
A cientista defendeu ainda a existência de processos híbridos, ou seja, que os serviços governamentais estejam disponíveis tanto de forma digital quanto analógica – de forma presencial, ou via ligação telefônica. “As pessoas ainda são híbridas. Mesmo que a gente tenha chegado ao nível do 5G, nem todos estão preparados para essa transformação digital”, ponderou.
Para ela, isso não é apenas uma questão de idade, mas também de renda e possibilidade de acesso. “Ter o equipamento adequado e uma internet potente muda a experiência”, pontuou. Um dos exemplos trazidos foi o sistema digital de agendamento de consultas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em que alguém vai até o posto para marcar um horário e recebe instruções para fazer pelo smartphone. “O sistema tem que ser amigável”, defendeu.
Agilidade
Outro ponto relevante trazido por Elis foi o debate em torno da agilidade dos serviços digitais do setor público e do privado. “A tecnologia mudou a forma como a gente viaja, pede alimentação e se desloca. Hoje em dia, realizar essas ações via aplicativo significa rapidez”, afirmou. No entendimento dela, as pessoas esperam que a inovação gere uma desburocratização, porém, ela não tem diminuído a “morosidade” desses processos.
Isso porque as filas geradas dentro de sistemas estaduais não andam na mesma agilidade do mercado. “Não adianta existir uma plataforma para eu registrar que a lâmpada da minha rua está queimada, se em um mês após o protocolo ela ainda estará queimada”, defendeu. Por isso, muito além do investimento em tecnologia, para Elis, o governo precisa garantir uma maior qualificação do atendimento à sociedade.
Entre 15 e 16 de junho, a reportagem de Coletiva.net acompanha o GovTech Summit, realizado pela Moove, no Nau Live Spaces, em Porto Alegre. Com apoio do Banrisul, a equipe trará matérias e entrevistas exclusivas sobre o evento que visa conectar empreendedores digitais, startups e decisores do setor público, na busca de soluções para melhorar serviços e processos. Conteúdos especiais poderão ser conferidos nas redes sociais – Facebook, Twitter e Instagram -, além de drops em Coletiva.rádio.

