Apontado em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo como uma das empresas suspeitas na Operação Zelotes, o Grupo RBS afirma por meio de seus veículos que desconhece a investigação e nega irregularidade em suas relações com a Receita Federal. A organização é indicada como suspeita de pagar R$ 15 milhões para obter redução de débito fiscal de cerca de R$ 150 milhões. De acordo com o Estadão, a empresa teria um total de R$ 672 milhões em débitos, que estariam sob investigação na Operação Zelotes. Em comunicado, a RBS acrescenta que tem “total tranquilidade quanto à lisura e à transparência dos procedimentos junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), bem como em todos os seus atos externos e internos em todas as áreas”.
A edição de hoje de Zero Hora entrevista o procurador da República Frederico Paiva, um dos responsáveis pela operação. No texto de apresentação, o jornal reforça o posicionamento da RBS, de que “desconhece a investigação e nega qualquer irregularidade”. Além do Grupo RBS, o Estadão revelou os nomes de outras 28 das 70 empresas que seriam alvos da operação. Entre as organizações divulgadas também estão Bradesco, Santander, Safra, Pactual, Bank Boston, Ford e Mitsubishi, Gerdau, BR Foods, Petrobras, Camargo Corrêa e Light. Procuradas pelo jornal, a maioria das empresas informou desconhecer o assunto. A reportagem afirma que a força-tarefa está na fase de investigação dos fatos; portanto, a lista de empresas ainda pode diminuir ou aumentar.
A operação, informa o jornal, investiga o pagamento de propina a integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) – órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, que julga em última instância recursos de grandes contribuintes multados pela Receita –, para que produzissem pareceres favoráveis aos contribuintes nos julgamentos de recursos dos débitos fiscais ou tomassem providências como pedir vistas de processos. As propinas variavam de 1% a 10% do débito tributário.
Os casos apurados na Zelotes foram relatados no Carf entre 2005 e 2015. Estima-se que a fraude pode alcançar R$ 19 bilhões em débitos fiscais de 70 processos analisados. Até o momento, foram comprovados que em nove deles houve desvio no valor de R$ 6 bilhões.
Abaixo, a íntegra do comunicado.
Comunicado aos colaboradores e ao público
Desde a manhã deste sábado, o Grupo RBS tem sido citado entre as empresas que estariam sendo investigadas na chamada Operação Zelotes. Essa notícia foi difundida inclusive por nossos veículos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, conforme os preceitos editoriais que regem nossa relação com o público.
A empresa divulgou a seguinte nota aos veículos que a procuraram: “A RBS desconhece a investigação e nega qualquer irregularidade em suas relações com a Receita Federal”. Adicionalmente, a empresa transmite a todos os seus colaboradores e ao público a sua total tranquilidade quanto à lisura e à transparência dos procedimentos junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), bem como em todos os seus atos externos e internos em todas as áreas.
A RBS não foi procurada para fornecer qualquer informação sobre a suposta investigação e confia na atuação das instituições responsáveis pela apuração para o devido esclarecimento dos fatos, que, como sempre, seguirão tendo cobertura normal de nossos veículos.



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