Episódios pouco conhecidos de personalidades precursoras da arte de rua nacional, histórias e imagens da primeira geração do graffiti. Esses são alguns elementos que estão registrados no livro ‘Estética Marginal Volume II’, organizado por Allan Szacher. A obra resgata a história do graffiti a partir de depoimentos daqueles que contribuíram para o desenvolvimento da arte de rua moderna no País. Publicação da Editora Zupi, traz pesquisa e textos de Ana Davids, Daniele Simões e Morena Borba.
Antes da verbalização do pensamento, as paredes das cavernas já eram utilizadas para comunicar fatos ou integrar civilizações a partir de desenhos e representações vividas. Com o avanço da civilização, as manifestações artísticas progrediram, levando à evolução do graffiti, que adquiriu novas formas e ferramentas para continuar existindo e cujas técnicas de composição atualmente figuram tanto nas ruas quanto nas galerias mundo afora. As técnicas utilizadas por grafiteiros influenciaram artistas como Duchamp, Picasso, Brassai, Pollock, Warhol, Basquiat, entre outros, que incorporaram um pouco desse estilo de manifestação em suas obras.
O livro documenta as artes plásticas a partir das biografias de artistas como Alex Vallauri, Carlos Matuck, Waldemar Zaidler, John Howard, José Carratu, Júlio Barreto, Hudnilson Júnior e Mauricio Villaça. Histórias reais vividas por personalidades que geraram polêmica a partir da arte urbana reforçam a obra ‘Estética Marginal Volume II’ como um registro documental da relação entre os artistas de rua e a dita arte de galeria.
Em uma das passagens, o livro registra intervenções realizadas pelo grupo 3Nós3, formado por Mário Ramiro, Hudnílson Urbano Júnior e Rafael França. “Já que as galerias estão ‘fechadas’, que tal lacrar a porta das principais com um ‘X’ de fita crepe?’’, conta Hudnílson em depoimento que permeia as páginas do livro. A mensagem deixada pelo trio na porta dos locais vedados – “O que está dentro fica, o que está fora se expande” – simboliza o espírito de libertação que tomou conta dos grafiteiros brasileiros nos anos de 1970 e 1980. Narrativas como essa apresentam o graffiti como um aliado da democracia.

