A Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) manifestou-se em correspondência ao Ministro das Comunicações, Hélio Costa, devido à falta de participação no debate sobre a implantação da Televisão Digital. Através da carta, a entidade solicitou informações sobre os planos governamentais a respeito da introdução do sistema no Brasil. Reunindo cerca das 300 principais empresas anunciantes do País, responsáveis por mais de 70% dos investimentos realizados na televisão aberta, a ABA quer compreender melhor as características essenciais do sistema japonês, o padrão tido pelo governo como o mais adequado para o Brasil.
O principal questionamento da ABA é em torno do preço da migração para o novo modelo. As especulações variam entre diferentes teses: o mercado publicitário estaria ávido pelo espaço, não estaria mais disposto a investir na veiculação em TV, ou ainda que os fabricantes de aparelhos receptores aumentariam a verba em publicidade para alavancar a adoção da tecnologia no País. Para a ABA, o problema é que estas análises sempre foram especulativas e falta participação dos anunciantes nas discussões.
No documento, a ABA ressalta que a preocupação da entidade “não é simplesmente deletéria, uma vez que o impacto econômico da adoção da TV digital – bem como do padrão escolhido – com certeza se refletirá nos valores cobrados pelas emissoras aos anunciantes pelas modalidades já existentes; assim como as novas possibilidades também resultarão em mais opções, por um lado, e maior divisão dos índices de audiência em função do aumento da oferta de alternativas à população”.
Os anunciantes fazem ainda um alerta ao ministro Hélio Costa, dizendo que “os cálculos sobre a disponibilidade de verbas publicitárias existentes para financiar a adoção da TV digital no Brasil devem ser feitos com grande cuidado, com fundamento na realidade econômica de nosso mercado de consumo e no custo permissível da publicidade a ele dirigida”. Dizem ainda que “não se deve imaginar que as verbas publicitárias sejam muito elásticas, porque os anunciantes presentes da TV aberta continuarão a empregar todo o mix de meios e veículos existente; da mesma forma que é limitado o potencial de entrada de recursos de novos anunciantes para esta modalidade de televisão”.

