Inovação e tecnologia são dois assuntos que vêm ganhando cada vez mais protagonismo. Devido à sua relevância, o assunto da palestra da quarta edição do Fórum Ciee Band de Ideias foi ‘O futuro inteligente além da inovação’. Além de apresentar uma série de novidades na área, que envolvem, especialmente, o universo da empregabilidade, o professor e especialista na área Gil Giardelli fez um robô interagir com a plateia que quase lotou o Teatro do Ciee, com mais de 300 presentes.
Após apresentação do jornalista Sérgio Stock, da Band TV, e de um breve pronunciamento do superintendente do Ciee, Luiz Carlos Eymael, Giardelli falou sobre as mudanças que a sociedade está enfrentando no que se refere à inovação. “O Brasil não pode ficar em uma inércia no meio dessas transformações”, declarou, ao avisar que estamos vivendo o que se chama de tempo pós-normal. “Hoje, existem os desempregos tecnológicos: máquinas estão fazendo o que os humanos faziam, e grande parte dos empregos do futuro passam pela tecnologia digital”, analisou, ao mencionar que uma marca de roupa de grife substituiu modelos por drones que ‘desfilaram’ bolsas na passarela, e que os dublês de filmes estão sendo trocados por robôs.
No entanto, para tranquilizar, o professor apontou que a cada um emprego que se fecha, abrem-se 2,6 possibilidades de trabalho. O problema, segundo ele, é que “é tudo tão novo e tão rápido que não conseguimos acompanhar nem compreender essas mudanças. Dessa forma, falta braço para que as pessoas entendam essas novidades”. E os humanos, onde ficam nessa história? “Empresas estão coletando DNA para desenvolver produtos pensados a partir da ancestralidade das pessoas”, respondeu Giardelli, que afirmou, ainda, que cientistas de Harvard e da Universidade de Pequim estão estudando uma forma de DNA editado para criar um bebê ‘perfeito’ e que poderá viver até 200 anos.
Outro ponto defendido por Giardelli se refere à empatia cognitiva. “Nunca olhem para a inovação somente a partir da sua visão e seus dogmas. Há sempre outros pontos de vista”, disse, ao contar que conheceu uma senhora chinesa de 80 anos que comprou um cachorro robô para ter companhia. “Para mim, que tenho mascotes que respiram, é estranho, mas ela, que vive sozinha e em uma cadeira de rodas, enxergou nessa tecnologia uma forma de diminuir sua solidão”, exemplificou e aproveitou para acalmar os presentes: “Não tenham medo dessa nova era”, pois, conforme explicou, os humanos ainda são a base de tudo. “As pessoas buscam, cada vez mais, se conectar com pessoas, por isso, estamos unindo o melhor da ciência com as competências humanas.”
Para ele, estes serão tempos de otimismo e convidou a todos a aproveitarem esse ‘novo Renascimento’ e a cruzarem a ‘fronteira de uma vida cósmica’. Ao final, antes de responder a perguntas do público, ligou um robô com Inteligência Artificial e pediu para que ele se apresentasse para a plateia que, munida de celulares, registrou a participação da máquina. Ela, por sua vez, obedeceu ao comando de Giardelli e conversou com o público. Ainda, desafiado pelo professor, o robô arriscou dançar a música Thriller, de Michel Jackson. “A dança é uma das grandes características que diferenciam humanos de máquinas”, falou o especialista.
No momento de interação com os participantes, Giardelli deu sua opinião sobre criptomoedas e disse que acredita que o conceito de uma moeda única é saudável para a economia mundial, a questão é que esse modelo é barrado pelos governos. “Mesmo assim, acho que é um caminho sem volta. Muito mais que uma nova moeda, o bitcoin vai trazer transparência”, defendeu.

