O papel da mídia e a relevância da imprensa são importantes para contextualizar, analisar e informar o público sobre os acontecimentos políticos que o Brasil vive. A declaração é do jornalista, escritor e colunista da Revista Voto Klécio Santos, que traçou um paralelo entre a postura dos veículos de comunicação na época do processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor e atualmente. O debate aconteceu durante o Brasil de Ideias, evento promovido pela Revista Voto, na última sexta-feira, 29, no Pool Bar do Hotel Sheraton Porto Alegre.
Com o tema “12 Anos de História”, o colunista lembrou que, depois de 24 anos, o País está vivendo um novo afastamento presidencial. “Em 1992, a imprensa era muito mais investigativa, praticamente decidiu a saída do Collor. No momento do mensalão, a mídia também foi decisiva. Mas hoje ela parece ter terceirizado a investigação. Deixou esta parte para o Ministério Público e para a Polícia Federal. E essas instituições utilizam a imprensa para movimentar a opinião pública. Os veículos têm que contextualizar, analisar e ir além das investigações da Lava-Jato”, declarou, e se disse preocupado com a falta de aprofundamento em assuntos que deveriam ter mais tempo de dedicação dos jornalistas. “As matérias estão se confundindo com posts de Facebook. E escrever posts qualquer um pode fazer”, ressaltou.
Outros três colunistas da publicação estiveram presentes no evento em comemoração ao aniversário da revista. O ex-governador e presidente do Instituto Reformar, Germano Rigotto; o presidente da Fundação de Economia e Estatística (FEE/RS), Igor Morais; e o codiretor do BRICLab da Universidade Columbia, de Nova Iorque, Marcos Troyjo. Cada um, pela ótica da sua especialidade, abordou as principais transformações acontecidas no País nos últimos anos.
De acordo com o ex-governador Germano Rigotto, o Plano Real manteve a estabilidade econômica até agora. “Durante a crise de 2008, poderiam ter sido feitas correções na gestão, diminuição de subsídios, de incentivos fiscais. Se, naquele momento, nós tivéssemos avançado em algumas reformas, não estaríamos vivenciando esta crise atual”, lembrou. Em sua explanação, o presidente da FEE/RS apresentou uma avaliação do cenário econômico do Brasil, avanços e retrocessos neste período. “Nós não fizemos as quatro reformas necessárias: tributária, trabalhista, previdenciária e política. Não sei se foi por falta de coragem de quem estava à frente do País durante este período, mas não fazê-las contribuiu para chegarmos ao ponto que estamos hoje”, avaliou.
O codiretor do BRICLab da Universidade Columbia, de Nova Iorque, Marcos Troyjo, fez uma comparação entre quatro características globais que estavam em voga há 12 anos e como elas estão atualmente. “Em 2003, tínhamos a sensação de que teríamos um mercado mais livre, mais liberalismo, uma maior circulação de pessoas. Na época, a migração global acontecia do Oceano Atlântico para o Pacífico, dos EUA e da Europa para a Ásia. Parecia que estava tudo se integrando, os blocos comerciais, o Mercosul. E no jornalismo, tínhamos a consolidação dos grandes grupos. E agora, 12 anos depois, parece pouco, mas é um longo espaço de tempo. Hoje, o mundo está parecendo passar por uma desglobalização”, analisou.
Conforme a publisher da Voto, Karim Miskulin, política e economia são o compromisso e a razão de a revista existir. “A Voto é uma publicação dedicada exclusivamente ao jornalismo político e econômico. Estamos acompanhando há 12 anos o desenvolvimento de ações e a transformação do País até aqui. Agora, precisamos analisar as perspectivas que temos e iremos fiscalizar todos os passos que serão dados daqui para frente, tanto no Governo Federal, como nos governos estaduais e municipais”, falou.
O Brasil de Ideias, promovido pela Revista Voto mensalmente, tem o patrocínio de Celulose Riograndense e Braskem.

