O relatório do Instituto Reuters sobre Jornalismo, Mídia e Tecnologia, que traça as principais tendências para 2022, mostra que este será um ano de consolidação cuidadosa para uma indústria de notícias, que foi interrompida por conta da Covid-19. O estudo aponta ainda que tanto os jornalistas quanto o público foram, até certo ponto, ‘esgotados’ pela intensidade implacável da agenda de notícias, ao lado de debates cada vez mais polarizados sobre Política, Identidade e Cultura.
De acordo com a publicação, 75% dos editores, CEOs e líderes digitais dizem estar confiantes sobre as perspectivas das empresas para 2022. Por outro lado, menos de 60% afirmam o mesmo sobre o futuro do Jornalismo. As preocupações dizem respeito à polarização das sociedades, ataques a profissionais da Comunicação, à imprensa livre e à sustentabilidade financeira das publicações locais.
Oito em cada 10 dos entrevistados pretendem avançar com estratégias de assinatura ou associação este ano. E 29% dos editores esperam obter receita significativa de plataformas de tecnologia para licenciamento de conteúdo ou inovação, com 15% buscando fundos e fundações filantrópicas – ambos acima do ano passado. Outros esperam reiniciar negócios de eventos paralisados por conta da pandemia.
Quanto às redes sociais, os entrevistados mostraram menos disposição em trabalhar com Facebook e Twitter e mais intenção de migrar para ferramentas mais populares entre os mais jovens como Instagram, TikTok e YouTube. Ao mesmo tempo, muitas organizações de notícias pretendem endurecer as regras para o comportamento dos jornalistas nas mídias sociais. Na pesquisa, a maioria dos editores e gerentes acha que os profissionais deveriam se limitar a reportar as notícias no Twitter e no Facebook, pois temem que opiniões pessoais possam minar a confiança.
Podcasts e áudio digital estão na mira de 80% dos entrevistados, bem como boletins informativos por e-mail, 70%, dois canais que se mostraram eficazes em aumentar a fidelidade e atrair novos assinantes. Por outro lado, apenas 14% dizem que investirão em voz e apenas 8% na criação de novos aplicativos para o metaverso, como VR (realidade virtual) e AR (realidade aumentada).
As empresas de mídia continuam apostando na inteligência artificial (IA) como forma de entregar experiências mais personalizadas e maior eficiência de produção. Mais de oito em cada 10 da amostra dizem que essas tecnologias serão importantes para melhores recomendações de conteúdo, 85%, e automação da redação, 81%. Mais de dois terços veem a IA como fundamental para ajudar a atrair e reter clientes.


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