O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, realizou uma reunião com empresas de pesquisa, onde apresentou a criação de um selo de acerto para pesquisas eleitorais. A ideia é que a marca seja garantida aos institutos cujas pesquisas mais se aproximarem dos resultados oficiais das urnas. Após a apresentação, no entanto, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) criticou a iniciativa.
O G1 obteve a íntegra da minuta de portaria apresentada por Nunes aos representantes de 16 institutos de pesquisa, na sede do TSE, em Brasília. O documento prevê criar o ‘Selo Acurácia Eleitoral’, que tem por intuito dar reconhecimento e valorização a empresas que publicarem pesquisas com maior aderência aos resultados oficiais das eleições.
Reação das instituições
Em nota, a entidade pontua que a iniciativa parte de uma compreensão equivocada sobre a finalidade das pesquisas eleitorais. Segundo a associação, os levantamentos medem a intenção de voto no momento em que são realizados e não representam previsões ou promessas de resultado. A entidade destacou que, entre a realização das entrevistas e o dia da votação, os eleitores podem mudar de opinião, deixar de comparecer às urnas ou alterar seu comportamento eleitoral.
Ainda em texto do G1, a diretora do Datafolha, Luciana Chong, afirma que o instituto se posicionou contra a proposta durante a reunião realizada pelo TSE. “O objetivo da pesquisa não é acertar o resultado eleitoral. A pesquisa não é prognóstico. O importante da pesquisa eleitoral é acompanhar o período eleitoral, contar a história da eleição e de tudo que vai acontecendo nesse período como uma importante fonte de informação para o eleitor”, diz.
Conforme apuração do veículo, os institutos não haviam sido avisados de que a criação do selo seria discutida no encontro e que tiveram acesso à minuta somente durante a reunião.
Posicionamento nas redes
Por meio das redes sociais, o Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (Camp) também emitiu uma nota oficial sobre a ação proposta: “Defendemos o aperfeiçoamento das regras eleitorais e da transparência das pesquisas. Porém, pesquisa eleitoral é diagnóstico, não previsão”. A organização manifestou preocupação com a proposta de um selo para premiar institutos pela proximidade com o resultado das urnas.
Ainda na publicação, a entidade afirmou reconhecer a importância do Tribunal Superior Eleitoral na garantia da lisura eleitoral e reafirma sua disposição de colaborar com a Justiça Eleitoral. O Camp defendeu, ainda, que o aperfeiçoamento da transparência das pesquisas seja construído em diálogo com os profissionais e institutos que atuam no setor.
Pauta em reunião
Ao chegarem à reunião, os representantes receberam uma cópia impressa da proposta de Nunes Marques. Alguns decidiram, então, incluir o assunto em suas falas. Esse foi o único documento impresso distribuído no encontro. Ministros do TSE ouvidos sob reserva pelo G1 também disseram que não receberam aviso prévio sobre o tema da reunião. Eles descreveram a proposta como “constrangedora”.
Pela minuta, seriam avaliadas pesquisas registradas pelo TSE e divulgadas ao público, realizadas no dia da votação, as chamadas pesquisas de boca de urna, ou nos sete dias anteriores ao pleito. O TSE avaliaria os levantamentos presidenciais, enquanto os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) ficariam responsáveis pelas pesquisas sobre as eleições para os governos estaduais e do Distrito Federal.
A metodologia para calcular a proximidade com as urnas e os critérios para a concessão do selo ainda serão definidos. O TSE recebeu sugestões dos institutos até a última sexta-feira, 17.

