Os jornalistas Jonas Leboutte, o Lediolegal, e Pedro Heyde, integrantes do Canal do Baldasso, foram atacados por torcedores do Internacional, no final da noite desta quarta-feira, 20, dentro do Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. O episódio ocorreu no final da partida entre o clube gaúcho e o Flamengo, válida pelas oitavas de final da ‘Taça Libertadores da América’, quando um grupo formado por seis torcedores começou a proferir xingamentos e agredir os comunicadores.
Em conversa com a reportagem de Coletiva.net, Jonas contou que no final da partida um repórter estava interagindo com a torcida, e que o profissional sorriu, o que foi interpretado como um deboche, por parte dos colorados, pela eliminação do time gaúcho. “Eles se aglomeraram ao nosso lado e tentaram nos agredir. Teve torcedor que arrancou os cabos do equipamento, jogou nosso notebook no chão, quebrou os fones de ouvido.”
De acordo com Jonas, os agressores arremessaram objetos em direção dos profissionais. “Fui atingido por uma garrafa de plástico na cabeça. O Pedro precisou se desviar de um soco, pois tentaram agredi-lo. O pupitre é muito próximo à torcida e não tinha seguranças do Inter, demorou muito para aparecer.”
Jonas contou que quando os seguranças do estádio chegaram no local, a situação já tinha se acalmado. “Nós ficamos no meio de seis ou sete pessoas, outras que estavam mais longe nos xingavam ou arremessavam os objetos mais próximos delas.”
Em nota enviada ao portal, o jornalista Fabiano Baldasso lamentou o ocorrido e comunicou que o Internacional está ajudando nas identificações dos agressores por meio das câmeras de segurança do estádio. De acordo com o comunicador, serão registrados boletins de ocorrência e que os agressores serão responsabilizados por meio de ações judiciais.
“Poderia ter sido uma tragédia. Eram apenas alguns torcedores, mas nesse caso, mesmo poucos podem causar uma tragédia. Foi um fato isolado, meu canal é o maior do Rio Grande do Sul em transmissão esportiva, e a torcida do Inter, praticamente na totalidade, nos acompanha e gosta do nosso trabalho.” O momento da agressão pode ser conferido no link.
Manifestações
Durante a transmissão do ‘Debate Raíz’, desta quinta-feira, 21, os integrantes do programa se manifestaram sobre o ocorrido. O apresentador, Leonardo Meneghetti, classificou as agressões como “atitude irresponsável e covarde”, pois os profissionais estavam trabalhando e não tinham como se defender. “Entendo a indignação e frustração pela eliminação do time. Vai descarregar na imprensa? Por mais críticas que o Baldasso faça, a imprensa não é responsável por isso.”
O jornalista Alex Bagé revelou no programa que chorou ao ver as imagens que mostravam os comunicadores sendo atacados. “A gente se coloca no lugar, vemos o Pedro e o Lédio, que são pessoas grandes, se decidissem revidar, haveria cortes só mostrando os jornalistas batendo. Faço transmissão também, e sei como é difícil. Não foi um choro de vitimismo, mas de raiva.”
Conforme João Batista Filho, estas imagens devem ser reproduzidas incontáveis vezes, para o Internacional identificar as pessoas. “Devem bloquear esses torcedores de frequentar o Beira-Rio por muitos anos. Essas pessoas responderão em outra esfera. É a terceira lei de Newton, toda ação tem uma reação.”
Posicionamentos
Em nota, a Associação de Cronistas Esportivos Gaúchos (Aceg) repudiou o episódio. “Qualquer agressão a jornalistas é crime contra a liberdade de expressão, contra o exercício profissional e contra os princípios democráticos. Não há tolerância. Não há relativização.”
Ainda na nota, a entidade requer que o Internacional identifique imediatamente os responsáveis e que colabore para que sejam responsabilizados pelas autoridades competentes. “Mais do que punição, é necessário garantir que tais ataques não se repitam, preservando a integridade de todos os cronistas esportivos em futuras coberturas.”
A Associação Riograndense de Imprensa (ARI),em seu manifesto, repudiou a atitude dos agressores e manifestou solidariedade aos jornalistas. “A direção da ARI reafirma sua defesa intransigente de um Jornalismo plural e independente, ressaltando a importância da presença de diferentes veículos na cobertura esportiva.”
Diante do episódio, a entidade cobra do Internacional a adoção de medidas preventivas, como a criação de espaços reservados e seguros para que os profissionais de imprensa possam exercer livremente suas atividades.
Em posicionamento conjunto, o Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) repudiaram os ataques. “É inadmissível que jornalistas e demais profissionais da imprensa sejam agredidos no exercício de suas profissões.”
Ainda no posicionamento, as entidades exigiram que o Inter explique por que os seguranças do clube não intervieram para conter as agressões, que identifique os torcedores agressores e tomem as medidas cabíveis. “Ainda mais que estes casos de violência e desrespeito com a imprensa vêm sendo recorrentes não somente no futebol mas, também, em outros eventos.”
Em nota enviada ao portal, a Assessoria de Imprensa do Internacional informou: “O Clube está trabalhando na identificação dos torcedores e adotará as medidas éticas e legais aos responsáveis.”
Confira as notas nas íntegra
Aceg:
A Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (ACEG) repudia de forma enfática e inegociável os episódios de agressão registrados nessa quarta-feira, 20 de agosto, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, ao final da partida entre Internacional e Flamengo, válida pela Copa Libertadores da América.
Profissionais da imprensa foram covardemente atacados enquanto exerciam sua função. Integrantes do Canal do Baldasso, na TRIBUNA DE IMPRENSA, foram agredidos por torcedores localizados em cadeiras próximas ao setor destinado à cobertura jornalística. Da mesma forma, o repórter da Rádio Real News foi alvo de violência no pátio do estádio.
A ACEG afirma, sem rodeios: qualquer agressão a jornalistas é crime contra a liberdade de expressão, contra o exercício profissional e contra os princípios democráticos. Não há tolerância. Não há relativização.
Diante da gravidade dos fatos, a ACEG requer que o Sport Club Internacional identifique imediatamente os responsáveis e colabore para que sejam responsabilizados pelas autoridades competentes. Mais do que punição, é necessário garantir que tais ataques não se repitam, preservando a integridade de todos os cronistas esportivos em futuras coberturas.
Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos – ACEG
ARI:
Nota de Solidariedade
A Associação Riograndense de Imprensa (ARI), ao mesmo tempo em que repudia com veemência a atitude de alguns torcedores do Sport Club Internacional, manifesta sua solidariedade aos jornalistas do Canal do Baldasso, que foram hostilizados e agredidos ao final da partida contra o Flamengo, na noite de quarta-feira (20).
A direção da ARI reafirma sua defesa intransigente de um Jornalismo plural e independente, ressaltando a importância da presença de diferentes veículos na cobertura esportiva.
Diante do lamentável episódio, a entidade cobra do Internacional a adoção de medidas preventivas, como a criação de espaços reservados e seguros para que os profissionais de imprensa possam exercer livremente suas atividades.
Sindjors e Fenaj:
O Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) repudiam as agressões de torcedores do Sport Clube Internacional a profissionais de imprensa da equipe do Fabiano Baldasso, ocorridas na noite de quarta-feira (20), ao final da partida entre Internacional e Flamengo, pelas oitavas de final da Taça Libertadores da América. É inadmissível que jornalistas e demais profissionais da imprensa sejam agredidos no exercício de suas profissões. O SindJoRS e a Fenaj exigem que o Inter explique por que os seguranças do clube não interviram para conter tais agressões, que identifique os torcedores agressores e tomem as medidas cabíveis. Ainda mais que estes casos de violência e desrespeito com a imprensa vem sendo recorrentes não somente no futebol mas, também, em outros eventos.
Em menos de um mês (03/08), o jornalista Lucas Dias, repórter do Canal do Baldasso e do programa Debate Raiz, denunciou ter sido ofendido pelo vice-presidente de futebol do Internacional, José Olavo Bisol, numa clara tentativa de desqualificar a imprensa e o jornalismo por parte do dirigente colorado.
Portanto, o SindJoRS e a Fenaj consideram ser urgente que os clubes de futebol do estado estabeleçam protocolos para lidar com os profissionais da imprensa de forma respeitosa, para garantir a integridade física destes profissionais enquanto estiverem no exercício de suas funções. É inadmissível que jornalistas sejam agredidos em qualquer local de trabalho. Muito menos em um espaço público que deveria servir de entretenimento para a sociedade.
Diretoria SindJoRS


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