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Investimento é o principal responsável por queda do PIB de 2009

Aportes tiveram primeira queda anual em seis anos

Os investimentos foram os principais responsáveis pela variação negativa (-0,2%) do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, segundo destacou a gerente da pesquisa de Contas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis. Conforme divulgou a Agência Estado, a gerente fez uma abertura dos dados do PIB do ano passado, em termos de contribuições pelo lado da demanda, mostrando que os investimentos e os baixos estoques derrubaram a economia.

A queda de 9,9% do investimento, ou Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), em 2009, foi a primeira desde 2003 (-4,6%), segundo o IBGE. Conforme Rebeca, a diminuição do investimento em 2003 foi influenciada pelos efeitos na economia da grande desconfiança do mercado financeiro sobre o início do governo Lula, como o real desvalorizado e o risco Brasil alto. “A queda dos investimentos foi o principal fator responsável pela queda do PIB, além da variação dos estoques, que caíram porque a produção da indústria diminuiu, apesar do aumento do consumo das famílias”, explicou Rebeca.

Para o resultado de -0,2%, a demanda interna contribuiu com -0,3 ponto porcentual, apesar da contribuição positiva do consumo das famílias (2,4 ponto porcentual) e do consumo do governo (0,7 pp). Ainda do lado da demanda interna, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) teve uma contribuição negativa no dado final do PIB de -1,9 pp, enquanto a variação de estoques contribuiu, também negativamente, com -1,6 pp. O setor externo, por sua vez, deu a primeira contribuição positiva para o PIB desde 2005, com 0,1 pp em 2009.

O Instituto disse também que a retração da atividade na indústria no ano passado, de 5,5%, foi a primeira desde 2001 (-0,6%). Rebeca lembrou que a queda da indústria em 2001 estava relacionada ao racionamento de energia no País naquele ano, período que também ficou marcada pelo ataque terrorista nos Estados Unidos e pela queda do regime de paridade cambial na Argentina.

Em 2009, todos os grupos da indústria tiveram queda no acumulado do ano em relação a 2008, devido à crise internacional. A indústria de transformação, que não tinha queda desde 1999, caiu 7,0% em todo o ano passado, a maior entre os subsetores no PIB. A indústria extrativa caiu -0,2%, apesar do crescimento de 5,7% na extração de petróleo e gás, impactada pela queda de 22,3% na atividade extrativa de minério de ferro. Os serviços industriais de utilidade pública, como eletricidade, gás e água, caíram 2,4% em 2009 e a construção civil caiu 6,3%.

Na indústria de transformação, Rebeca citou entre as maiores quedas do valor adicionado os setores de produtos de madeira, metalurgia e siderurgia; máquinas e equipamentos; material elétrico e equipamentos de comunicação; material médico e hospitalar; peças para veículos, caminhões e ônibus. Os maiores crescimentos, por outro lado, foram os dos setores de eletrodomésticos, produtos farmacêuticos, perfumaria, higiene e limpeza.

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