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Jairo Jorge defende ideias em encontro com jornalistas

As dificuldades dos governos Dilma e Sartori e as turbulências do PT estiveram na pauta da conversa com o Clube de Opinião

Jairo Jorge | Reprodução\n

Jairo Jorge | Reprodução

“Ou o PT muda, ou acaba como utopia!”. Esta seria, segundo o próprio prefeito de Canoas, Jairo Jorge (PT), a manchete para uma notícia que registrasse o encontro que ele teve com 20 integrantes do Clube de Editores e Jornalistas de Opinião do Rio Grande do Sul, realizado na manhã desta quarta-feira, 23, no Hotel Everest, em Porto Alegre. Durante quase duas horas, ele respondeu a questionamentos dos jornalistas – o último deles o provocou sobre a manchete, já que ele respondera com franqueza a todas as questões levantadas durante a conversa informal – e que foram desde a administração municipal e o aumento de impostos no âmbito estadual até o governo Dilma e o atual momento de turbulências vivido por seu partido.

Atualmente na política, a origem de Jairo Jorge está no jornalismo. Formado pela Fabico, a TVE está entre os veículos em que atuou. O encontro foi conduzido pelo presidente do Clube, jornalista Júlio Ribeiro, e dele participaram também a secretária de Comunicação Social de Canoas, Lurdes Nascimento, e a assessora de imprensa Taís Dal Ri.

Confira a seguir algumas das questões abordadas por Jairo Jorge.

– A propaganda eleitoral é importante e acho o fim do financiamento eleitoral sensacional. Vamos ter de voltar à política de raízes, ter de caminhar, ir ao encontro do eleitor, batalhar voto por voto

– Neste momento estou muito envolvido com o Projeto Famurs 2030. Precisamos saber discutir o futuro, o que parece não ser hábito no Rio Grande do Sul. Precisamos adquirir esta cultura de discutir, planejar. Chega de divergências entre chimangos e maragatos. Mas esta briga continua, e a única coisa boa é que hoje não se corta garganta do adversário.

– Temos três crises conjuntas no país: econômica, política e ética. O momento é grave e o governo federal parece que não se dá conta disso.

– A pergunta é se, na hora de decidir, eu salvaria o PT ou salvaria o governo? Eu salvaria o país, que é um instrumento para a democracia. Não acredito em renúncia, conhecendo a presidente como a conheço. Mas, ela tem que reagir, urgentemente. Uma saída seria chamar as oposições e propor um governo de coalizão nacional, uma espécie de parlamentarismo de fato. A Dilma não está escutando o Lula. Ele seria mais afeito à ideia de um governo de coalizão. A presidente Dilma precisaria sentar com os partidos e pactuar. O chefe da Casa Civil poderia inclusive ser uma espécie de Primeiro Ministro.

– Existe o risco real de impeachment, embora o PT ache que não.

– Vivemos a pior crise na segurança, com crescimento assustador de crimes. Em um caso recente em Canoas, a Brigada só tinha uma viatura funcionando para atender uma invasão, que ocorria simultaneamente a um assalto a banco. O índice de homicídios bateu recordes: foram 93 no ano passado, e agora, só até agosto, já chegamos a 94 em Canoas.

– Nosso objetivo este ano é economizar R$ 100 milhões, devido à queda na arrecadação, verificada desde novembro do ano passado. Vamos manter este objetivo, mesmo que o aumento do ICMS vá representar um adicional de R$ 40 milhões em nossa receita a partir de 2016.

– A crise vivida pelo PT tem diferentes dimensões e pode representar para o partido um sentido terminal, ou reduzir muito o seu tamanho. A crise atinge a alma do partido, a utopia que motivou sua criação, e pode resultar na perda de energia política. É um momento triste para o PT.

– Sair do partido? Estou avaliando, é uma decisão difícil, embora uma nota oficial já tenha me colocado na contramão do PT. É uma injustiça, me senti agredido, pois a posição defendida por mim em convenção do partido foi apoiada por outros 10 prefeitos presentes.

– Acho que o governador Sartori perdeu a oportunidade para fazer uma reforma profunda no Estado. Ninguém faz depois que assume, tem de ser antes de assumir, por isso acho que o Sartori perdeu um tempo precioso até tomar posse em janeiro.  O Rio Grande do Sul tem de ter uma nova estrutura, pois esta de hoje está carcomida, com estruturas sem sinergia. Em vez de secretarias eu defendo escritórios com apenas dois ou três níveis hierárquicos. Hoje o que temos é uma pirâmide hierarquizada, dentro dos conceitos de administração, quando precisamos de uma estrutura bem mais leve e mais enxuta.

– O grande erro de Lula foi não ter feito a Reforma Política, quando ele tinha tudo para fazer e poderia ter feito.

– Eu não aplaudi o João Vaccari no Congresso do partido, que mais parecia um bando de avestruzes, com a cabeça enfiada na areia, deslocados da realidade.

– Aqui na Assembleia Legislativa, no caso da discussão do pacote do governador Sartori, o PT agiu como se fosse o PSOL. Nós, que governamos o Estado por oito anos, deveríamos ser propositivos, apresentar alternativas, e não, simplesmente, sermos contra o pacote. Agimos como um genérico do PSOL.

– O Brasil era a bola da vez em 2011, quando Dilma assumiu. Se o governo tivesse pensado de forma estratégica, no futuro, podíamos ter um novo País, uma realidade diferente.

– Sou a favor do parlamentarismo e do voto distrital.

– O Mercadante é um autista político, criou um mundo próprio e vê a realidade sob uma ótica pessoal. Uma parte do PT age igual, acreditando que a crise é apenas uma marolinha.

– Daqui a quatro anos, não sei nem se o PT continuará existindo, no sentido de ainda produzir impacto na sociedade (respondendo se será candidato ao governo do Estado pelo PT).

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