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Jornalismo investigativo requer atenção

Entre os dias 12 e 14 deste mês, Congresso da Abraji debateu sobre os rumos do segmento

Há quem diga que todo o jornalismo é investigativo. No entanto, o 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji (Asssociação Brasileira de Jornalismo Investigativo) mostrou, entre os dias 12 e 14 deste mês, que a definição vai muito além deste horizonte. Na opinião de Brant Houston e David Kaplan, membros da Global Investigative Journalism Network (GIJN), que palestraram no último dia do evento, o crescimento na criação de órgãos que protegem jornalistas assíduos na prática investigativa mostra a necessidade de dar mais atenção à causa.

A conferência que aconteceu na Universidade Anhembi Morumbi reuniu 88 painéis. Entre os palestrantes estavam profissionais dos principais grupos de comunicação nacionais e internacionais. Exemplos como o Global Investigative Journalism Network, comandado por Kaplan, mostram que a questão deve ser tratada com muito mais seriedade. “Hoje existem mais de 100 ONGs (organizações não governamentais) e associações sem fins lucrativos atuando em prol da causa”, diz.

Um bom levantamento de dados é fundamental para uma boa história ser contada. Esta é a opinião de Leonêncio Nossa, repórter da Agência Estado e autor do livro Mata! O Major Curió e as Guerrilhas do Araguaia. De acordo com ele, que pesquisou sobre o assunto durante 10 anos, é fundamental registrar o tempo e as datas. Porém, ele destaca que os sentimentos dos entrevistados também devem ser levados em consideração. “Certas vezes, uma frase, um olhar já diz tudo”, conta.

A narrativa deve ser multimídia, ter a capacidade de atingir o público em qualquer meio. A afirmação é de Lourival Sant’Anna, repórter do Grupo Estado de São Paulo. Sant’Anna cobriu os acontecimentos da Primavera Árabe, que ficou conhecida por uma série de revoltas populares que derrubaram ditadores no Oriente Médio. Para o goiano, que fazia as reportagens com a utilização de texto e imagem (fotos e vídeos), tudo consistia em levantamento de informações. “Eu vejo tudo como apuração”, acredita.

Repórter especial da Revista Época, Hudson Corrêa desvendou a rede que comanda o narcotráfico brasileiro. Segundo ele, o aumento do número de reportagens abordando os grandes cartéis criminosos é uma das alternativas pra acabar com a impunidade. Contudo, na opinião de Corrêa, o esforço ainda é insuficiente. “Por enquanto, estamos batendo, mas não há efeito”, declara.

As mudanças sociais são importantes nos relatos da jornalista Eliane Brum. Ex-repórter do jornal Zero Hora e da Revista Época, Eliane agora trabalha de maneira independente. Para a gaúcha, é fundamental o envolvimento com o personagem. “Quando conto uma história, tenho que descer para o mesmo plano de quem estou entrevistando”, relatou Eliane, durante palestra que abordou sua mais nova reportagem especial ‘Doença de Chagas na Bolívia: Os Vampiros da realidade só matam pobres’.

Uma rede social pode ser uma excelente ferramenta. No caso de Andy Carvin, estrategista de comunicação da rádio norte-americana NPR, a experiência foi um sucesso. Através de seu perfil no Twitter, ele se utilizou de fontes online para contar o andamento dos acontecimentos das revoluções de países como Egito, Líbia e Síria. Apesar de Carvin exaltar a importância de buscar os dados na internet, ele também ressalta a relevância de presenciar o evento ao vivo. “As reportagens online a ao vivo se completam”, observa. (Por Pedro Henrique Tavares, de São Paulo)

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