O jornalista açoriano Carlos Manuel da Costa Tomé recebeu, durante solenidade no final da tarde desta segunda-feira, 1, na sala da presidência da Assembleia Legislativa, a Medalha da 53ª Legislatura. A distinção foi entregue pelo presidente Adão Villaverde (PT), acompanhado do secretário de Estado da Cultura, Luiz Antonio de Assis Brasil, em agradecimento à divulgação da cultura gaúcha pelo mundo, realizada pelo homenageado desde 1988, quando esteve pela primeira vez em Porto Alegre.
Villaverde disse que o Legislativo gaúcho sentia-se honrado de poder homenagear uma pessoa tão dedicada ao Estado. “Precisamos agradecer não somente pela forma como você divulga o Rio Grande do Sul, mas principalmente por fazer essa ponte entre as duas culturas, e por tudo que devemos à colonização açoriana”, ressaltou o parlamentar. Em seu pronunciamento, o secretário Assis Brasil lembrou a trajetória profissional do jornalista, destacando o primeiro trabalho organizado em relação à colonização açoriana em solo gaúcho.
Assis Brasil lembrou que Tomé produziu, em 1989, “uma grande e maravilhosa reportagem”, chamada A geração esquecida, o que possibilitou aos açorianos conhecerem o quanto aquela geração que aqui chegou foi importante e o quanto estipulou as bases demográficas do Estado. O secretário da Cultura ainda ressaltou a forte vinculação do homenageado ao Rio Grande do Sul: “Pode-se dizer que ele é açoriano mais gaúcho de todos. Ele próprio vive esta belíssima crise de identidade”.
Ao agradecer o reconhecimento, Tomé definiu o Estado como a sua outra origem. “O Rio Grande do Sul é, para mim, um renascimento, o meu segundo berço. Nos Açores gostamos de dizer que nos corre basalto negro nas veias, tal é a nossa ligação telúrica com as ilhas vulcânicas onde nascemos e vivemos. Hoje, sinto que, junto com a lava, corre também nas minhas veias um pouco de mate e o sangue de 35 que o poeta evoca”, revelou emocionado, para logo depois ressaltar a saudade que sente quando está longe. “`Às vezes, quando a saudade aperta, comparo o mesmo mar que me rodeia, lá na ilha, à imensidão do pampa e transformo o navio que observo no horizonte numa coxilha escurecida pelo entardecer”, declarou.
Por proposição da presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, Sofia Cavedon, o jornalista receberá nova homenagem, logo mais, às 15h. Receberá o título honorífico de Cidadão de Porto Alegre, aprovado por unanimidade pelos vereadores, pela contribuição para a divulgação da importância de Porto Alegre no contexto da colonização açoriana no Rio Grande do Sul, em meados do século XVIII, bem como pela projeção nos Açores da Capital gaúcha.

